A ministra dos Transportes da Etiópia, Dagmawit Moges, disse que os dados da caixa preta mostram que o acidente com um Boeing 737 Max 8 da Ethiopian Airlines se assemelha ao acidente de outro Boeing 737 da Lion Air em outubro de 2018, informou o Wall Street Journal no domingo (17).

O jornal escreve que a ministra não deu mais detalhes sobre a semelhança entre os incidentes — como o possível envolvimento de um software para evitar que a aeronave perdesse sustentação, que acredita-se que seja o culpado no acidente da Lion Air:

“Semelhanças claras foram observadas entre o voo 302 da Ethiopian Air e o voo 610 da Lion Air, que será objeto de estudo adicional durante a investigação”, disse a ministra dos Transportes, Dagmawit Moges. Ambos os voos eram realizados em aeronaves Boeing 737 MAX 8.

Moges se recusou a dar detalhes sobre as semelhanças identificadas, incluindo se o novo software anti-stalling da Boeing que vem sendo associado ao voo da Lion Air foi ativado. Ela falou depois que o departamento de investigações de acidentes aéreos da França, o BEA, enviou os dados do gravador de voz do cockpit e do gravador de dados de voo para as autoridades etíopes.

De acordo com o Journal, Moges acrescentou que os investigadores da Ethiopian e do Conselho Nacional de Segurança no Transporte dos EUA (NTSB, na sigla em inglês) confirmaram os dados da caixa preta, e uma avaliação preliminar dos resultados será emitida dentro de um prazo de 30 dias. Autoridades da Administração Federal de Aviação dos EUA (FAA, na sigla em inglês) e reguladores de voo europeus também estavam presentes quando os dados foram obtidos, diz a publicação.

Os dados dos satélites mostram que ambos os aviões tinham um perfil de voo similar antes de caírem, enquanto relatórios indicaram que pode haver um problema sério com sistemas de controle automatizados projetados para reduzir o risco de perda de sustentação (o Sistema de Aumento de Características de Manobra, ou MCAS). Um mau funcionamento poderia potencialmente fazer com que o avião mergulhasse em queda livre, correspondendo a informações de que o capitão do avião da Ethiopian Airlines reportou sérios problemas logo após a decolagem. Como o Journal escreveu:

A tripulação da Lion Air lutou contra o avião pelos 11 minutos após a decolagem, antes que o avião caísse. O sistema, baseando-se em entradas incorretas de sensores, achava que a tripulação estava prestes a fazer com que o avião perdesse sustentação e repetidamente empurrou o nariz para baixo, disseram os investigadores em um relatório preliminar. Os pilotos tentaram recuperar o comando, mas acabaram perdendo o controle.

Também tem havido alguns problemas com o nível de treinamento de pilotos certificados para pilotar modelos anteriores da aeronave antes de assumir o controle dos jatos mais novos.

Na semana passada, companhias aéreas em todo o planeta começaram a manter em solo aeronaves Boeing 737 Max 8. Depois de mais alguns dias, a FAA também aderiu a decisão e suspendeu a operação de aviões 737 Max 8 e 737 Max 9 com companhias aéreas americanas, tornando os EUA o último grande país a adotar a medida.

A American Airlines disse ao Gizmodo por meio de um comunicado que a Boeing caracterizou a suspensão dos aviões nos EUA como resultado de uma “cautela abundante”. No entanto, o CEO da Boeing, Dennis Muilenburghad — que tem um bom relacionamento com a Casa Branca — tentou convencer a administração Trump a não emitir o pedido, dizem fontes.

Embora 376 encomendas distintas do 737 Max tenham sido atendidas, cerca de 4.636 pedidos ainda estavam pendentes em fevereiro, informou recentemente a Bloomberg. Algumas companhias aéreas estariam considerando migrar para a concorrência. Mais de US$ 600 bilhões em encomendas estão potencialmente em risco, segundo a Bloomberg. A Boeing prometeu uma revisão do software do avião para reduzir o risco de mais um acidente.

De acordo com o Journal, os serviços funerários para os 157 mortos no último acidente aconteceram em Adis Abeba no domingo (17). No entanto, eles foram feitos com caixões vazios, já que provavelmente levará cerca de meio ano para identificar restos humanos recuperados via análise de DNA.

[Wall Street Journal]