A NASA reagendou sua primeira caminhada espacial feminina para essa sexta-feira (18).

O marco havia sido agendado inicialmente para março, mas os problemas com trajes espaciais forçaram a NASA a cancelar o evento. As astronautas norte-americanas Christina Koch e Jessica Meir deixarão a Estação Espacial Internacional para substituir um controlador de energia com falha.

A cobertura de TV da NASA da caminhada espacial começará às 6h30 da manhã (ET) – ou 5h30 no horário de Brasília, nesta sexta-feira, 18 de outubro. A caminhada espacial está prevista para as 7:50 da manhã (ET). Você pode assistir aqui:

Embora tenha havido mais de 200 caminhadas espaciais fora da Estação Espacial Internacional, todas foram realizadas por dois homens ou um homem e uma mulher, e as mulheres representam apenas 10% das pessoas que estiveram no espaço.

A NASA esperava reverter isso em 29 de março, quando Koch se juntaria à astronauta americana Anne McClain em uma caminhada espacial. No entanto, após sua primeira caminhada, Koch percebeu que seu traje espacial era muito grande e desconfortável para realizar manobras, e um traje menor não podia ser configurado a tempo para o evento histórico.

Meir e Koch agora concluirão a caminhada espacial totalmente feminina, a fim de substituir as unidades de bateria com falha responsáveis ​​por regular a quantidade de carga que entra nas baterias movidas a energia solar da estação.

Essas caminhadas são marcos importantes, demonstrando que a NASA já integrou mulheres suficientes em seu corpo de astronautas para que seja possível uma caminhada no espaço só de mulheres, disse Margaret Weitekamp, ​​curadora e chefe do Departamento de História Espacial do Smithsonian National Air and Space Museum, ao Gizmodo.

Isso segue décadas de mudanças sociais, estruturais e legislativas que permitiram às mulheres buscar oportunidades anteriormente indisponíveis para elas, principalmente o Artigo IX da Lei de Alterações na Educação de 1972 nos EUA e a recente remoção de políticas de exclusão de combate para mulheres nas forças armadas.

“Acho que essa conquista é resultado de gerações de mulheres que vêm lutando para ingressar nessas profissões”, disse Weitekamp.

Mas há muito mais trabalho a ser feito – os 38 astronautas ativos de hoje compreendem apenas 12 mulheres, embora elas constituam metade da população dos Estados Unidos. Os astronautas são tipicamente o topo de uma pirâmide de currículos extraordinários, muitos com diploma de doutorado ou tendo servido em posições militares de alto escalão.

Cada passo em frente nesta pirâmide inclui obstáculos que impedem desproporcionalmente mulheres e minorias raciais de avançar. Isso inclui um histórico de políticas ruins de licença maternidade e de assistência à infância em comparação com outros países, preconceitos em avaliações e pesquisas de emprego e discriminação na maneira como os recursos são alocados.

Talvez, acima de tudo, essa caminhada espacial seja importante para inspirar a próxima geração de cientistas que agora verão essas conquistas como possíveis ou até comuns.

Como a astronauta Sally Ride disse uma vez: “As meninas precisam ver modelos em qualquer carreira que escolherem, para que possam se imaginar fazendo esses trabalhos algum dia”.