Tecnologia

Canon lança equipamento que poderá superar chips da linha iPhone 15 Pro

Nova máquina da Canon utiliza tecnologia de litografia por nanoimpressão e promete gastar menos energia e ser mais econômico
Imagem: Brian Kostiuk (Unsplash)

O mercado de semicondutores ganhou um novo fornecedor. A Canon apresentou o FPA-1200NZ2C, um equipamento de litografia por nanoimpressão (NIL) para produção de chips avançados. Segundo a marca japonesa, espera-se que a nova máquina seja capaz de produzir componentes de 2 nanômetros no futuro.

O lançamento é voltado para fabricantes, como a Samsung Foundry e a TSMC. Através desse sistema, as companhias conseguem montar os circuitos dos semicondutores que são usados, por exemplo, em celulares, computadores, carros e afins.

Apesar de ser uma tecnologia amplamente difundida, a ASML é a única empresa do mundo capaz de oferecer equipamentos para sistemas de litografia avançados, como o Extreme Ultraviolet (EUV). Assim, somente clientes da empresa neerlandesa conseguem desenvolver chips de 5 nanômetros ou até menos com a tecnologia.

A grosso modo, quanto menos nanômetros, melhor é a eficiência energética e o desempenho do chip.

É aí que entra a Canon com o FPA-1200NZ2C. O equipamento utiliza a tecnologia de litografia por nanoimpressão (NIL) e promete fabricar semicondutores de até 5 nanômetros. Com o aprimoramento da tecnologia, a Canon aposta até na impressão de chips de 2 nanômetros no futuro.

Caso isto aconteça, ele será superior ao chip Apple A17 Pro (usado na linha iPhone 15 Pro), que foi produzido em um processo de 3 nanômetros pela TSMC — possivelmente com uma máquina da ASML.

Canon FPA-1200NZ2C (Imagem: Divulgação/Canon)

Canon FPA-1200NZ2C (Imagem: Divulgação/Canon)

Como funciona a litografia por nanoimpressão?

A tecnologia usada é diferente do EUV, que é realizado através de um mecanismo óptico. A Canon explica que a litografia por nanoimpressão utiliza uma máscara para reproduzir o circuito no wafer. Em outras palavras: funciona como um carimbo para “imprimir” o padrão no material semicondutor, como o silício.

“Como o processo de transferência do padrão do circuito não passa por um mecanismo óptico, os padrões finos do circuito na máscara podem ser reproduzidos fielmente no wafer”, ressaltaram. “Assim, padrões complexos de circuitos bidimensionais ou tridimensionais podem ser formados em uma única impressão.”

Além da promessa de alta precisão, a Canon destaca que a sua máquina é mais econômica e gasta menos energia. Afinal, o equipamento não requer uma fonte de luz com comprimento de onda especial para reproduzir os circuitos no wafer. A fabricante também aponta que a litografia por nanoimpressão reduz a emissão de carbono.

Canon FPA-1200NZ2C (Imagem: Divulgação/Canon)

Canon FPA-1200NZ2C (Imagem: Divulgação/Canon)

Quem vai usar a nova máquina da Canon?

Por ora, ainda não há como saber se o FPA-1200NZ2C é, de fato, preciso como os equipamentos de EUV. Conforme observado pelo SamMobile, pode levar anos até que as fabricantes utilizem o novo dispositivo para desenvolver chips. A estreia, por outro lado, abre novas possibilidades para o mercado de semicondutores.

Especialmente no cenário atual, marcado por conflitos entre China e Estados Unidos nesta seara. Devido ao atrito, empresas baseadas e aliadas ao governo dos Estados Unidos enfrentam limitações para fornecer equipamentos para companhias chinesas.

SamMobile também aponta que, por ser japonesa, a Canon teria menos restrições e poderia vender o novo FPA-1200NZ2C para empresas da China. É o caso da SMIC, uma vez que a empresa foi sancionada pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos. A fornecedora é, atualmente, uma aliada comercial da Huawei – também banida pelos EUA – para a produção dos chips Kirin.

Por isso, o equipamento poderia colocar a fabricante de celulares, computadores e afins de volta ao radar. Especialmente depois da estreia do Huawei Mate 60 Pro, que chamou a atenção especialmente por usar um chip chinês de 7 nanômetros, o Kirin 9000s, segundo a Bloomberg. Um feito inédito desde o embargo.

Enquanto isso, a Reuters informa que os Estados Unidos pretendem restringir a exportação de chips para inteligência artificial da Nvidia e outras empresas para a China.

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Bruno De Blasi

Bruno De Blasi

Jornalista especializado em tecnologia e carioca da gema. Já passou pelas redações do iHelp BR, Olhar Digital, Tecnoblog e TechTudo. É fã de música, cultura nerd e cinema. Nas horas vagas, está lendo, programando ou tocando baixo.

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