Já sabemos que brigas por dinheiro causam um grande desconforto entre as pessoas. No entanto, uma pesquisa da Universidade da Califórnia descobriu que essas desavenças podem ser a causa de separações conjugais.

Um estudo longitudinal, publicado no The Economic Journal, mediu as preferências de risco de 5,3 mil casais da Alemanha entre 2004 e 2017. Os participantes da pesquisa — conduzida anualmente pelo Painel Socioeconômico Alemão — foram questionados sobre o quanto eles estavam dispostos a assumir riscos em relação a carreira, esportes, direção e questões financeiras.

Após a análise desses dados, a equipe concluiu que as diferenças nas preferências de risco são que mais trazem separação a longo prazo. Isso quer dizer que os casais que pensam diferente sobre essas questões têm duas vezes mais probabilidade de se divorciar, em comparação com os casais com preferências mais semelhantes. Além disso, de todas as categorias listadas, as diferenças nos riscos financeiros foram o indicador mais forte de divórcio.

“Discutir sobre dinheiro é tipicamente citado como motivo para o divórcio, mas o principal fator potencial dessas brigas são as diferenças nas atitudes de risco”, disse a autora do estudo, Marta Serra-Garcia, professora associada de economia e estratégia na Rady School. “As atitudes de risco determinam as decisões de investimento, como moradia para a família. Se os cônjuges têm preferências diferentes, eles freqüentemente discordarão sobre investimentos comuns e muito importantes para o casamento.”

Os resultados revelam, também, que os casais que divergem nas decisões de poupança e investimento são menos propensos a ter uma casa própria e/ou reformar sua casa. Outro dado relevante evidenciou que casais recém-formados se tornaram mais parecidos com o tempo, demonstrando que as atitudes dentro de uma família não são fixas. Por exemplo, em tempos financeiros difíceis, como a grande recessão de 2009, a maioria dos casais torna-se mais avessa ao risco.

Ao analisar esse período, a pesquisa aponta que os casais que se tornaram mais semelhantes durante esse período eram menos propensos a se divorciar mais tarde. “A assimilação de preferências pode ser um mecanismo para resolver conflitos dentro dos casamentos”, disse Serra-Garcia. “Como resultado, esses casais têm uma probabilidade maior de ficarem juntos.”

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Tudo isso pode ter implicações para a indústria de sites de namoro, já que mais de um terço dos casais dos Estados Unidos se encontram online, onde os usuários podem aprender sobre as características de um indivíduo antes de se encontrarem. “Os sites de namoro online costumam criar algoritmos que tentam encontrar a combinação ideal”, disse Serra-Garcia. “Se esses sites sugerirem combinações entre indivíduos que são semelhantes em suas atitudes de risco, isso pode diminuir a probabilidade de que, se um casal se formar, ele se dissolva no futuro.”