O Google e seus parceiros parecem ter acertado em cheio com a mais recente geração de Chromebooks: os laptops rodam uma versão do Linux, centrada em webapps, e custam até US$ 199 sem sacrificar (tanto) o desempenho. Isto levou Chromebooks à lista de laptops mais vendidos na Amazon, tanto nos EUA como no Reino Unido.

Enquanto isso, a venda de laptops com Windows está caindo, com novos modelos focando em certos recursos (como touchscreens) a um preço maior, porém com vendas fracas. O Chromebook pode aproveitar o nicho de laptops baratos – e incomodar a Microsoft?

É nisso que Tom Warren, do Verge, acredita. E ele pode ter razão. Acer e Samsung vendem Chromebooks há anos, mas esta semana, a Lenovo – segunda maior fabricante de PCs do mundo – entrou no jogo.

O ThinkPad X131e é um dispositivo resistente voltado para escolas. Ele custa um pouco mais caro (US$430) por vir com processador Intel e ter corpo reforçado. Mas o preço não impede a adoção do Chromebook: na verdade, ele já está presente em mais de 1.000 escolas. Ou seja, desde cedo os alunos poderão se acostumar com o Chrome e os serviços do Google – Docs/Drive, por exemplo, em vez do Office.

lenovo-chromebook

E webapps estão se tornando uma opção cada vez mais viável. Nós já passamos boa parte de nosso tempo na internet – redes sociais, e-mail, YouTube – e é possível realizar tarefas mais simples com webapps (criar documentos, editar imagens). Se a preocupação é não ter acesso à internet, bem, vários webapps – Docs, Gmail – funcionam offline e você pode guardar arquivos no disco, assim como em qualquer computador.

Mas por que a Microsoft se preocuparia com alguns poucos modelos de laptops baratos? Bem, talvez porque laptops baratos – os famigerados netbooks – contribuíram para o sucesso estrondoso do Windows 7. Eles também podem ser o motivo para as vendas fracas de PCs com Windows 8. Segundo Paul Thurrott:

Muitas dessas 20 milhões de licenças do Windows 7 vendidas a cada mês foram para máquinas que são basicamente lixo descartável de plástico. Netbooks não apenas rejuvenesceram o mercado, na época em que o Windows 7 apareceu – eles também destruíram o mercado por dentro: agora, os consumidores esperam pagar quase nada por um PC com Windows. A maioria deles simplesmente se recusam a pagar por PCs mais caros do Windows…

Em relatório distribuído de forma privada, a NPD conclui que “netbooks fizeram uma quantidade incalculável de dano ao mercado de PCs”, levando preços médios de venda para baixo em um ritmo insustentável.

O Chromebook não sofre desse problema. Ele pode ser realmente barato sem sofrer com desempenho ruim, ou construção malfeita, ou telas pequenas demais, ou teclados espremidos. O Chromebook foi pensado para ser barato: não há espaço para um modelo “premium” (aí seria melhor levar um laptop com Windows rodando Chrome).

Enquanto a Microsoft concentra os esforços das fabricantes em laptops e outros PCs com tela de toque, que custam mais caro, sobra um espaço para laptops bem baratos, mas que funcionem bem. Mesmo com a concorrência de tablets, há quem queira um teclado físico e um formato tradicional pagando pouco. Você pode levar um Nexus 7 com tela pequena e tentar usá-lo como laptop, ou você pode comprar um laptop igualmente barato.

A menos que a Microsoft consiga levar o Windows RT para computadores de hardware mais simples – o possível Windows Blue supostamente tornará isso uma realidade – o Chromebook terá algum espaço para crescer. [The Verge e Winsupersite]