A revista Nature publicou nesta quarta-feira (15) uma lista com os 10 nomes que ajudaram a levantar a ciência em 2021. Entre os escolhidos, estão desde cientistas que trabalham com inteligência artificial até aqueles que se dedicam à exploração espacial. 

Um brasileiro integra a lista: Tulio de Oliveira, denominado pela revista como “caçador de variantes”. O diretor da Plataforma de Pesquisa, Inovação e Sequenciamento Kwazulu-Natal (KRISP), na África do Sul, esteve envolvido na detecção das variantes beta e também da variante ômicron, anunciada em novembro.

O KRISP, fundado em 2007, já rastreou agentes causadores por trás de doenças como dengue, zika, tuberculose e o vírus do HIV. Mas, de acordo com a publicação, nunca foram feitos tantos sequenciamentos de um mesmo vírus em um período de tempo tão curto como aconteceu com o Sars-CoV-2.

Em entrevista à Nature, o cientista brasileiro comentou que acaba sendo interpretado como inimigo em alguns momentos, já que notícias sobre variantes levam a bloqueios nas fronteiras, fechamentos nas cidades, entre outras restrições. 

Porém, seu trabalho é o oposto: ao identificar variantes com muitas mutações, como a ômicron, o pesquisador torna possível explorar seu potencial de transmissão e a eficácia das vacinas, abrindo caminhos para que os países procurem formas de evitar novas ondas de infecção. 

A atuação do cientista brasileiro no KRISP influenciou também na formulação de políticas para o combate à pandemia. A instituição mapeou, por exemplo, um surto hospitalar precoce de Covid-19, sugerindo uma mudança de layout nas alas médicas para evitar a propagação da doença. 

Tulio de Oliveira está montando, desde julho de 2021, o Centro de Pesquisa, Resposta e Inovação em Epidemias (CERI), que abrigará a maior instalação de sequenciamento do continente africano. O objetivo é trabalhar no controle de epidemias não só na África do Sul, mas no mundo todo.