A indústria petroquímica produz mais de 88 milhões de toneladas de polietileno por ano, fazendo com que este seja o plástico mais comum do mundo. Cientistas descobriram uma nova maneira de reaproveitá-lo, de acordo com um estudo publicado na revista Science na última quinta-feira (22). Isso poderia ajudar a lidar com a crise de poluição, que é cada vez maior.

O polietileno tem várias formas diferentes e é usado em tudo, desde sacos plásticos e embalagens de alimentos a isolamento elétrico e tubulações industriais. Ele é muito comum, e nossos sistemas de reciclagem têm graves deficiências. Por isso, acabamos jogando fora um monte de coisas. Isso leva o polietileno a ir parar em aterros sanitários ou nos oceanos, onde se decompõe muito lentamente, ou em incineradores de resíduos, onde ele emite produtos tóxicos quando queimado.

Mas, no novo estudo, os autores encontraram uma maneira de acelerar o processo de quebra do polietileno e transformá-lo em moléculas alquilaromáticas, que são usadas como surfactantes em cosméticos e detergentes para roupas, lubrificantes para máquinas e fluidos de refrigeração.

“Globalmente, é um mercado de US$ 9 bilhões hoje”, disse Susannah Scott, engenheira química da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara e coautora do estudo, em um e-mail referindo-se às moléculas alquilaromáticas. “Há valor econômico e escala aqui.”

Esta não é a primeira vez que os cientistas descobriram como quebrar o polietileno — existem outras formas de reciclar quimicamente o material. Mas os métodos convencionais de quebrar este plástico requerem aquecê-lo a temperaturas entre 500°C e 1000°C e usar solventes ou adição de hidrogênio para acelerar o processo.

Em contraste, o novo método dos autores requer apenas aquecê-lo até cerca de 300°C e não usa solventes ou hidrogênio adicionado. Em vez disso, depende apenas de um catalisador comparativamente suave de platina com óxido de alumínio. O processo deles ajudou a desmontar os polímeros do plástico de uma maneira menos difícil, permitindo extrair as valiosas moléculas alquilaromáticas intactas.

Scott disse que o catalisador funciona para “cortar as ligações que prendem a cadeia do polímero em pedaços menores”, eventualmente transformando o plástico sólido em um líquido, do qual se podem extrair os valiosos produtos químicos.

O novo processo dos autores consome muito menos energia do que outros meios de decompor o polietileno. Isso é uma boa notícia para o meio ambiente. Também é mais barato, o que é uma boa notícia para empresas que desejam aumentar sua escala. A técnica ainda não está pronta para esse aumento, mas a descoberta pode eventualmente ser usada para dar aos plásticos uma nova vida como matéria-prima valiosa em vez de resíduos poluentes.

“Cavamos um buraco no solo, produzimos, fazemos, usamos, jogamos fora”, disse Mahdi Abu-Omar, engenheiro químico da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara e coautor do estudo, em um comunicado. “Então, de certa forma, [este novo processo] está realmente quebrando essa forma de pensar. Há pesquisas científicas interessantes a serem feitas aqui, que nos levarão a novas descobertas, novos paradigmas e novas maneiras de fazer química.”

Para ficar claro, esse novo método não deve de nenhuma forma dar licença à indústria petroquímica para produzir ainda mais plástico. Embora seja ótimo ter uma alternativa melhor do que jogá-lo fora, a fabricação de polietileno também ameaça a saúde pública e o clima com suas emissões tóxicas. Ainda precisamos trabalhar para salvar o mundo da produção e do consumo de plástico em primeiro lugar. Mas a nova tecnologia pode ajudar a desempenhar um papel na redução da quantidade de lixo que é produzida e ajudar a limpar a sujeira que já temos em nossas mãos.