Sabe quando você ouve uma música nova e é diferente de tudo aquilo que você conhece? Bom, teoricamente, esse conceito também pode se aplicar a cientistas, que recentemente escutaram um som diferente e ficaram intrigados com o tal ruído. Só que, em vez de um novo cantor ou banda, o som era originário de uma nova população de baleias.

Em um estudo publicado na revista Endangered Species Research na semana passada, os cientistas analisaram gravações subaquáticas do Mar da Arábia, estendendo-se da costa de Omã até o sul de Madagascar. A equipe de pesquisadores se deparou com um tipo desconhecido de canto de baleia que nunca havia sido documentado até então, gerando um esforço internacional para descobrir do que se tratava.

“Foi notável encontrar um canto de baleia que fosse completamente único, nunca antes relatado, e reconhecê-lo como uma baleia azul”, disse em comunicado Salvatore Cerchio, diretor do Programa de Cetáceos do Fundo Africano de Conservação Aquática e coautor do estudo.

Um ano depois de descobrir o canto das baleias, a equipe apresentou suas descobertas em uma reunião do Comitê Científico da Comissão Baleeira Internacional. Lá, eles compartilharam os dados com outros cientistas que disseram ter encontrado o mesmo canto das baleias em gravações do Oceano Índico central. As duas equipes de cientistas se juntaram para aprender mais sobre a espécie.

Enquanto o grupo analisava a nova melodia, ficou claro que ela era cantada por uma população de baleias azuis até então desconhecida no oeste do Oceano Índico. À medida que foram reunindo mais dados, eles descobriram que a nova população provavelmente passa a maior parte do tempo no noroeste do Oceano Índico.

A descoberta é um vislumbre de esperança para as baleias azuis, que foram levadas à beira da extinção e atualmente estão listadas como ameaçadas de extinção pela Lei de Espécies Ameaçadas. Nos anos 1800 e 1900, a indústria baleeira comercial quase erradicou a espécie.

Graças a proteções ambientais, as populações de baleias azuis têm aumentado em todo o mundo desde a última metade do século. No entanto, a espécie ainda enfrenta ameaças globais, principalmente devido à perda de habitat provocada por mudanças induzidas pelo clima na temperatura do oceano e níveis de pH, bem como a poluição marinha. Os navios também colocam as baleias em risco de serem atingidas ou ficaram presas em linhas de pesca.

Os autores da pesquisa ainda cobram um cuidado maior por parte dos líderes mundiais, que devem redobrar os esforços para proteger a espécie, impondo regulamentações mais rígidas sobre o transporte marítimo e redução das emissões de carbono.

As baleias azuis desempenham papéis importantes em seus ecossistemas e são essenciais nas cadeias alimentares marinhas. Como as maiores criaturas da Terra, elas comem grandes quantidades de krill e outras pequenas criaturas, regulando os ecossistemas oceânicos. Elas também absorvem carbono a uma taxa maior do que as árvores.

É possível que as baleias encontradas no Oceano Índico não sejam uma população distinta, mas uma subespécie única de baleia azul, o que tornaria sua conservação particularmente importante devido à necessidade de preservar a biodiversidade.