Há diferentes hipóteses para a origem da vida na Terra: acredita-se, por exemplo, que rochas espaciais tenham caído no planeta e providenciado o material genético que possibilitou toda a evolução. 

Cientistas já haviam identificado adenina, guanina, uracila e outros compostos orgânicos em meteoritos do passado. Agora, eles completaram a sopa de letrinhas, encontrando vestígios de timina e citosina em objetos celestes.

Vale uma breve explicação para aqueles que já se esqueceram das aulas de biologia. As chamadas nucleobases (os nomes terminados em “ina” que citamos acima) combinam-se com açúcares e fosfatos para compor o código genético de toda a vida na Terra. Basicamente, estamos falando dos ingredientes que compõem o DNA e RNA.

A pesquisa foi conduzida por cientistas da Universidade de Hokkaido, no Japão. Eles tiveram como objeto de estudo quatro amostras de meteoritos que caíram décadas atrás na Austrália, Estados Unidos e Canadá. 

Basicamente, os pesquisadores reduziram as amostras a pó. Depois, aplicaram uma técnica de extração que utiliza água fria para separar os compostos químicos. Todas as nucleobases foram identificadas. O estudo completo foi publicado na revista Nature Communications.

Não se engane: as nucleobases não apontam para a existência de vida extraterrestre. Na verdade, elas apenas representam a composição química do asteroide no espaço, que pode ter semeado a Terra com esse material.

Os pesquisadores também estão aplicando a técnica de extração em pedaços do asteroide Ryugu, que teve suas amostras trazidas à Terra no final de 2020 pela missão japonesa Hayabusa2. O mesmo poderá ocorrer com o asteroide Bennu, que terá seus pedaços trazidos ao planeta pela NASA em 2023.