A China tem estado na frente dos Estados Unidos quando se trata de modificação genética humana – por lá, a ideia parecer ser muito menos carregado moralmente. Mas pela primeira vez, cientistas dos Estados Unidos modificaram geneticamente um embrião humano, de acordo com um novo relatório publicado no MIT Technology Review. De acordo com a publicação, cientistas na Universidade de Saúde e Ciência do Oregon (OHSU, na sigla em inglês) estão utilizando a técnica de edição de gene com CRIPSR para alterar o DNA de um “grande número de embriões unicelulares”.

• Cientistas apontam mais obstáculos para a edição genética da natureza
• Cientistas usaram o CRISPR para reverter doença de Huntington em ratos

Na China, cientistas já editaram o DNA de embriões diversas vezes durante os últimos dois anos, em experimentos que incluíam torná-los resistentes ao HIV, e modificar o gene associado a doenças sanguíneas. Na Suécia, um pesquisador chegou até a tentativa de editar embriões humanos saudáveis. E no Reino Unido, cientistas receberam sinal verde para editar genes em embriões, também.

Nos Estados Unidos, no entanto, o que é conhecido como “edição germinal” é um campo minado pela ética, vinculado com debates sobre aborto, religião, desigualdade social e segurança. No ano passado, a Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos publicou um relatório de 261 páginas que deu um sinal verde cauteloso para a edição de genes humanos, endossando a prática para a cura de doenças, mas determinando alguns usos, como a criação dos chamados “bebês sob medida”, não são éticos. Depois disso, era só uma questão de tempo para acontecer.

No experimento da Universidade de Oregon, os embriões não puderam se desenvolver por mais do que alguns dias, de acordo com o Tech Review. Mas a pesquisa pode ajudar a determinar o quão viável é simplesmente corrigir genes associados a doenças hereditárias.

A segurança não é a única barreira, no entanto. Modificar o DNA humano de maneiras que poderiam um dia ser passadas para as futuras gerações tem sido considerado algo eticamente complicado há muito tempo – em muitos países, essa ação está completamente proibida. Nos Estados Unidos, o congresso bloqueou quaisquer testes clínicos que tenha como objetivo transformar um embrião modificado fertilizado in vitro em um bebê. E embora outros experimentos envolvendo embriões geneticamente modificados são permitidos, o congresso também bloqueou financiamento federal para qualquer pesquisa clínica “na qual um embrião humano é intencionalmente criado ou modificado para incluir modificações geneticamente hereditárias”. Considerando que o Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos injeta cerca de US$ 30 bilhões em pesquisa médica todos os anos, esse é um grande obstáculo.

Um dia, como a Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos coloca, a edição humana germinal para erradicar doenças pode ser legal nos Estados Unidos com “supervisão rigorosa”. Mas ainda falta muito para isso acontecer.

[MIT Technology Review]

Imagem do topo: Células-tronco humanas embrionárias. Crédito: Wikimedia