Uma pesquisa publicada na revista científica Nature Microbiology identificou 54.118 espécies de vírus que vivem no intestino humano — 92% dos quais eram desconhecidos anteriormente. Segundo os pesquisadores, a grande maioria “se alimenta” de bactérias e não ataca células humanas.

Quando a maioria de nós pensa em vírus, lembramos daqueles que nos infectam e causam doenças, como a Covid-19. No entanto, há um grande número de microorganismos que têm como alvo os micróbios que vivem no nosso intestino. Além de nos ajudar a digerir a comida, eles têm outras funções importantes, como nos proteger contra bactérias patogênicas, modular nosso bem-estar mental, preparar nosso sistema imunológico quando somos crianças e regular esse sistema na vida adulta.

Para o estudo, cientistas do Joint Genome Institute e da Stanford University analisaram sequências virais de 11.810 amostras fecais disponíveis publicamente, retiradas de pessoas de 24 países diferentes. “Queríamos ter uma ideia de até que ponto os vírus fixaram residência no intestino humano”, disse, em nota, Philip Hugenholtz, um dos autores do artigo.

Esse esforço resultou no catálogo Metagenomic Gut Virus, o maior desse tipo até hoje. Ele compreende 189.680 genomas virais que representam mais de 50 mil espécies de vírus distintas. Dessas, a maioria é novidade para a ciência. A equipe descobriu, também, padrões geográficos nos 24 países pesquisados.

“Por exemplo, uma subespécie do recém-descrito crAssphage era prevalente na Ásia, mas era rara ou ausente em amostras da Europa e América do Norte. Isso pode ser devido à expansão localizada deste vírus em populações humanas específicas”, explica Hugenholtz.

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Segundo ele, essas informações podem ser usadas para terapia fágica, ou seja, um cuidado anterior aos antibióticos em que os vírus são usados ​​para alvejar seletivamente patógenos bacterianos a fim de tratar infecções. “Há discussões sobre a possibilidade de customizar os microbiomas intestinais das pessoas usando intervenções dietéticas, probióticos, prebióticos ou mesmo transplantes de microbiota fecal a fim de melhorar a saúde de um indivíduo”, conclui.

[Science Alert]