Seriam elas estrelas? Seriam planetas perdidos? Anãs marrons, as esferas escuras e errantes de galáxia são alguns dos objetos mais curiosos do espaço. Elas são maiores do que Júpiter, mas menores do que as estrelas, brilham por conta própria e, bem, são realmente estranhas. Uma nova análise parece explicar pelo menos alguns dos seus mistérios.

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Uma equipe internacional de pesquisadores verificou os dados de telescópio para tentar entender o misterioso comportamento das emissões de luz das anãs marrons. Depois de assistir uma grande amostra de anãs marrons frias por um ano e meio, que equivale a cerca de mil rotações, eles chegaram no que poderia ser uma conclusão surpreendente: o modelo melhor adaptado para seus dados acabou sendo algo que se parecia muito com o planeta Netuno. Isso poderia ter implicações importantes não só para o estudo de anãs marrons, mas para a compreensão dos exoplanetas em geral.

“Nossos resultados sugerem que os candidatos de exoplanetas gigantes gasosos de grande separação [como HR 8799bcde e HD 131399Ab],” esses exoplanetas conhecidos estão realmente longe de sua estrela principal, “que têm temperaturas quase idênticas às anãs marrons estudadas aqui, podem também mostrar a mesma circulação”, escreveram os cientistas no artigo publicado ontem na revista Science.

Um dos mistérios das anãs marrons se centra em torno de suas curvas de luz, ou seja, a quantidade de luz que elas emitem ao longo do tempo. Os pesquisadores notaram padrões confusos, incluindo picos divididos em dois picos recorrentes, piscadas de brilho rápido e padrões que parecem aleatórios.

Depois de coletar dados do telescópio espacial Spitzer, especificamente das missões estendidas depois que ele deveria ser desativado, os pesquisadores apresentaram alguns modelos. Isso inclui algumas características que você provavelmente já conhece, incluindo bandas de brilho variável e pontos redondos e brilhantes. Na verdade, os cientistas pensam que as anãs marrons podem parecer muito com Netuno.

Em outras palavras, talvez a melhor maneira de explicar essas coisas escuras e parecidas com estrelas, seja a física dos planetas. “Os dados para cada anã marrom podem ser modelados com duas ou três bandas”, escrevem os autores, com ondas de brilho variável, como um fluxo de jato com máximos e mínimos de luz em vez de temperaturas e pressões do ar.

Claro, estes são apenas modelos, não observações diretas, e outras interpretações são possíveis. Mas pelo menos uma pesquisadora não envolvida neste estudo ficou entusiasmada com as medidas. “Estou impressionada. Os dados que eles têm são muito diretos, como as medidas de brilho ao longo do tempo e observando a mudança em diferentes comprimentos de onda “, disse Emily Rice, professora de astronomia no CUNY College of Staten Island, ao Gizmodo. “Os modelos de computador que eles fazem e as conclusões que eles desenham são super empolgantes para mim”.

Rice estava especialmente entusiasmada com o fato de que os dados vieram de missões espaciais estendidas. “Quando a missão espacial começa, você não sabe quando vai acabar, você nunca sabe quantos dados podem resultar dela”, disse ela.

Há muitas outras implicações se os ambientes de anãs marrons se parecem com os dos planetas. As estrelas são formadas por nuvens de poeira, enquanto os planetas se formam a partir de discos de poeira em órbita das estrelas, disse Rice. As anãs marrons mostram que algo que se formou da primeira maneira pode acabar se parecendo bastante como a segunda (embora a composição elementar seja diferente). Isso também significa que o estudo de anãs marrons provavelmente pode ajudar a explicar muitas das especificidades dos exoplanetas, que geralmente são mais difíceis de estudar, dado a luz ofuscante da estrela mãe tão próxima.

“Eu diria que anãs marrons são super empolgantes. Os exoplanetas receberam toda a atenção recentemente, mas não podemos realmente fazer essas observações com exoplanetas”, disse Rice. “Esperávamos que a ciência fosse verdadeira, mas não precisa ser. Está se tornando verdade de maneiras mais interessantes do que imaginávamos. Isso é super legal.”

[Science]

Imagem: NASA/JPL-Caltech