Se você estava se perguntando: “Ei, os cientistas já fizeram muita coisa recentemente, mas quando é que eles vão transplantar memórias como em Westworld?” — temos boas notícias. Uma equipe relata agora ter transplantado memórias entre lesmas. Bom, mais ou menos.

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Os pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles deram leves choques elétricos em lesmas, que tornaram essas lesmas mais nervosas ao serem tocadas. Elas então transplantaram material genético dessas lesmas em lesmas que nunca haviam levado choques. Isso mudou o comportamento dessas segundas lesmas: elas contraíam seus sifões em resposta ao toque por períodos de tempo maiores do que as lesmas que haviam recebido material genético transplantado de doadores que não haviam levado choque.

A equipe espera um dia descobrir exatamente como nossos cérebros armazenam memórias fisicamente. Alguns cientistas acham que o corpo armazena memórias de longo prazo com mudanças estruturais nas sinapses, as conexões entre as células cerebrais, de acordo com o novo artigo publicado na eNeuro. Mas outros acham que talvez o corpo armazene memórias dentro do material genético das células cerebrais por meio de mudanças epigenéticas. Essas mudanças revelam ou escondem partes do código genético, em vez de alterações do código em si.

Ao observar as ingênuas lesmas se afastarem por mais tempo apenas se recebessem RNA de um hospedeiro que havia levado choques, os pesquisadores sentiram que haviam encontrado evidências de que essas mudanças epigenéticas estavam armazenando memórias dos choques. Note que as lesmas não têm cérebros exatamente, mas, sim, aglomerados de células nervosas distribuídos através de seus corpos. Essas células nervosas são umas das maiores do reino animal.

O autor principal do estudo, David Glanzman, disse à BBC que, “se as memórias fossem armazenadas em sinapses, não haveria como nosso experimento funcionar”. Sua equipe também apontou que os neurônios em uma placa de Petri disparavam mais se recebessem uma injeção de RNA das lesmas eletrocutadas do que se recebessem RNA de lesmas não eletrocutadas.

Só houve choques nas lesmas, não em memórias humanas ricas, então transplantes de mente à la Westworld provavelmente ainda estão muito, muito distaes. Tomás Ryan, da Trinity College Dublin, disse ao Guardian que continuava cético e que sequer chamaria esse comportamento transferido de memória. “Esse trabalho me diz que talvez as respostas comportamentais mais básicas envolvem algum tipo de interruptor no animal e que existe algo no caldo que Glanzman extrai que está atingindo esse interruptor.”

Scientific American informa que, ainda assim, a ideia desafia algumas das visões mais amplamente divulgadas sobre como os cérebros armazenam memórias. Mas serão necessárias muito mais pesquisas para estabelecer a importância da epigenética no armazenamento de memória a longo prazo.

[eNeuro]

Imagem do topo: Wikimedia Commons