Na semana passada, falamos que a Claro estrearia sua rede 5G no Brasil. Nesta quarta-feira (8), a operadora deu mais detalhes. As cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro serão as primeiras a contar com este tipo de conexão, que pode chegar a 400 Mbps (megabits por segundo), e as redes passarão a funcionar com smartphones habilitados a partir da próxima semana.

“A escolha do Rio de Janeiro e de São Paulo deve-se mais à concentração de tráfego, áreas em que naturalmente há muita demanda para este serviço”, disse Paulo César Teixeira, presidente da Claro Brasil, durante transmissão de apresentação do serviço. Mesmo assim, neste primeiro momento, a cobertura será restrita à região central das cidades, com exceção da sede da CUFA (Central Única das Favelas) em Paraisópolis, na capital paulista, que contará com pontos de acesso já com 5G.

Segundo a Claro, essas serão as localidades onde a tecnologia será disponibilizada nas cidades:

Em São Paulo, a cobertura 5G DSS da Claro estará disponível inicialmente na região da Avenida Paulista e Jardins. Nas semanas seguintes, vai gradativamente estender-se pelos bairros Campo Belo, Vila Madalena, Pinheiros, Itaim, Moema, Brooklin, Vila Olímpia, Cerqueira César, Paraíso, Ibirapuera, além da região da Av. Berrini e também de Santo Amaro, onde fica a sede da Claro em São Paulo.

No Rio de Janeiro, os primeiros pontos de cobertura estarão em Ipanema, Leblon e na Lagoa. Na seqüência devem se expandir por toda a orla, do Leme até a Barra da Tijuca, passando por Jardim Oceânico, Joá, São Conrado e Copacabana.

De acordo com a operadora, não será necessário um plano específico para usar o 5G DSS da Claro. Eles sugerem, porém, o plano de 50 GB, que custa R$ 295,89 por mês em São Paulo.

Além disso, haverá um desconto para o único aparelho até o momento compatível com a rede deles: o Moto Edge. Ele será vendido em 12 parcelas de R$ 249 ou R$ 2.939 à vista, bem menos que os R$ 5.999 sugeridos pela Motorola.

O Moto Edge+, apesar de ter especificações melhores, não terá compatibilidade com a rede da Claro, só com o 5G na faixa de 3,5 GHz, que ainda será leiloada pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).

E sobre velocidades? Bem, a Claro disse que o 4G atingia 20 Mbps, enquanto o 4.5G podia alcançar até 200 Mbps. O 5G DSS pode chegar a velocidades de download de 400 Mbps com baixa latência, o que significa que tal conexão pode ser também usada para games móveis online, como Free Fire ou Fortnite, sem ter atrasos entre o comando e a ação no jogo.

Como é esse 5G DSS da Claro

O 5G da rede da Claro funciona por meio da tecnologia DSS (Dynamic Spectrum Sharing, ou Compartilhamento Dinâmico de Espectro), da Ericsson. Então, de forma simplificada, a operadora usará um espectro de frequência que funciona nos aparelhos atuais (4G) e que também será compatível com smartphones 5G.

Como explicamos na semana passada, o 5G DSS será parte de um processo de transição. Após os leilões de frequência, a operadora também implementará a tecnologia no espectro de 3,5 GHz e nas faixas de ondas milimétricas (acima de 6 GHz).

Até porque a aquisição de espectros com frequência alta fará com que as operadoras tenham de instalar mais antenas: a regra geral de telecomunicações é quanto maior a frequência, maior deve ser a instalação de antenas para ter uma cobertura de qualidade. Depois do leilão e com uma rede sólida, a promessa é que a velocidade de download possa chegar a 1 Gbps.

Como ocorreu no 4G, o 5G inicialmente será para poucos. No entanto, não deixa de ser um primeiro passo para o desenvolvimento da tecnologia. Se o 4G ajudou a possibilitar todo o ecossistema de apps que usamos (de serviços de streaming a apps de localização e entrega), o 5G deve aumentar ainda mais o nosso nível de conectividade possibilitando a conexão de carros autônomos, cidades inteligentes e indústrias automatizadas, além de prometer joguinhos sem lag com conexão móvel.