Algumas pessoas estão usando a Amazon para enviar milhares de sementes para pessoas que não as solicitaram nos EUA. Isto é mais preocupante do que parece, e gerou uma resposta da companhia: não será mais permitida a venda de sementes de vendedores estrangeiros.

De acordo com uma reportagem do fim de semana do Wall Street Journal, a Amazon informou os vendedores estrangeiros de sementes que a partir de 3 de setembro não permitiria mais a importação de produtos vegetais ou sementes para os Estados Unidos. A empresa também atualizou suas regras públicas e especificou que a importação de sementes para os EUA foi proibida. Na mesma linha, a Amazon também afirmou que não permitiria a venda de sementes dentro dos EUA por residentes não americanos.

“Daqui em diante, vamos permitir a venda de sementes apenas de vendedores baseados nos EUA”, disse um porta-voz da Amazon ao jornal em um comunicado. Além disso, em um e-mail para vendedores estrangeiros de sementes obtido pelo WSJ, a Amazon afirmou que sua nova política era “parte dos nossos esforços contínuos para proteger nossos clientes e melhorar a experiência do cliente”.

Como você pode imaginar, milhares de pedidos de sementes não solicitados atraíram alguma atenção do governo dos EUA. Os pacotes misteriosos — que vieram principalmente da China e foram classificados como itens como joias ou brinquedos — estão atualmente sendo investigados por várias agências governamentais dos EUA, incluindo o Departamento de Agricultura, Alfândega e Proteção de Fronteira dos EUA, o Serviço Postal dos EUA e os departamento estaduais de agricultura, relatou o jornal dos EUA. As sementes foram enviadas para destinatários em todos os 50 estados.

Agora, você pode se perguntar, qual é o mal em deixar algumas sementes aleatórias no país? Embora pareça trivial, não é uma questão pequena. Funcionários do USDA, Departamento de Agricultura dos EUA, estão preocupados que as sementes possam introduzir espécies invasivas, pragas ou doenças nos EUA que possam prejudicar a indústria agrícola. Considerando que já estamos lidando com uma pandemia, a última coisa que um país precisa em 2020 são espécies esquisitas ou potenciais novas doenças.

Osama El-Lissy, administrador adjunto do serviço de inspeção de saúde animal e vegetal do USDA, disse que a agência recebeu cerca de 20 mil relatos de sementes indesejadas. Ele acrescentou que o departamento coletou cerca de 9.000 pacotes e analisou mais de 2.500. Depois de coletar as sementes, o USDA as envia para botânicos para analisar se alguma delas está na lista federal de itens nocivos. O Wall Street Journal afirma que a agência encontrou várias nocivas, incluindo espinafre d’água e cuscuta. Também encontraram sementes com doenças que ocorrem na China e alguns insetos.

El-Lissy afirmou que nenhuma das descobertas de sementes gerou preocupação significativa ou exigiu o uso de um plano federal de resposta a emergências. No entanto, isso não significa que isso não seja perigoso. O administrador adjunto do USDA ainda está preocupado que um ou mais dos misteriosos pacotes de sementes possam conter uma ameaça que pode afetar a agricultura dos EUA. Se detectar uma ameaça, a agência pode se preparar para agir rapidamente.

Apesar da descoberta de alguns itens nocivos e doenças de plantas, as autoridades não acreditam que as sementes foram enviadas para atacar a indústria agrícola dos EUA. Na verdade, a teoria principal é algo muito mais simples: um esquema para postar comentários falsos e aumentar as vendas. Conhecido como “brushing scam”, isso envolve o vendedor enviar produtos não solicitados para as pessoas e, em seguida, postar uma avaliação falsa do cliente sobre essa “venda”.

A Amazon, por sua vez, negou que as entregas de sementes fizessem parte deste “brushing scam”, de acordo com o Wall Street Journal, e disse que eram pedidos legítimos atrasados por causa da pandemia. E ok, claro, talvez isso seja verdade em alguns casos. Mas isso poderia ser verdade para os milhares de pacotes que o USDA vem coletando?

Sei não, Amazon. Parece que os remetentes podem ter intenções ruins aqui.

[The Wall Street Journal]