Um grupo de pesquisadores publicou um estudo essa semana no qual eles mostraram uma habilidade de reconstruir a foto de um rosto humano apenas ao gravar as ondas cerebrais de um macaco que estava vendo a foto. Isso representa um imenso salto no nosso conhecimento sobre como o cérebro reconhece rostos e uma janela em potencial para gravar o que o cérebro está vendo.

• A DARPA quer hackear o seu cérebro para você aprender mais rápido
• Este dispositivo que parece vir de Star Trek consegue detectar hemorragia cerebral

O estudo, publicado na Cell, não significa que nós decodificamos o cérebro do macaco e logo iremos ver imagens direto dos sonhos dos macacos. Ele, no entanto, demonstra um grande avanço na pesquisa de uma função bem específica do cérebro. Você pode ver a foto de um rosto humano que foi mostrada para os macacos do teste (“actual face”) e a renderização algorítmica de suas ondas cerebrais (“predicted face”) na imagem abaixo.

m5xd9d3wozx1z4mjtxqv

Imagem: Cell

O professor Rodrigo Quian Quiroga, neurocientista da Universidade de Leicester, disse ao Guardian que isso é “uma revolução na neurociência”. Além de simplesmente ser maneiro demais, essa pesquisa nos aproxima da solução do debate sobre como o cérebro reconhece rostos. Durante um tempo, acreditava-se que o cérebro usava o que era conhecido como “células avós“, neurônios que armazenam informação sobre objetos individuais. Então, grupos de neurônios que foram referidos como “face patches” supostamente eram dedicados a reconhecer rostos. Essas regiões do cérebro respondem mais a estímulos de rostos humanos. Uma teoria era de que células individuais dessa região são codificadas com identidades faciais específicas. “Essa pesquisa mata isso completamente”, diz Quiroga.

Basicamente, parece haver um jeito de reduzir a informação visual de um rosto em um conjunto de valores numéricos e coordenadas, então gravar a ativação dos neurônios e converter os valores numéricos que foram registrados de volta como informação visual. Os pesquisadores descreveram o processo como quase acidental em sua precisão. Primeiro, mapearam 25 pontos de referência nos rostos humanos e testaram como esses números poderiam ser traduzidos em uma imagem. Eram esboços rústicos, como a distância entre os olhos e o topo da testa. Depois de comparar os resultados dos números com fotos de rostos de verdade, decidiram por um conjunto de critérios que parecia o mais preciso, mas ainda extremamente abstrato. Então, escolheram mais 25 medidas que preenchiam mais detalhes, como tom da pele e cor dos olhos.

Os pesquisadores identificaram a região “face patch” dos cérebros de dois macacos rhesus machos ao estudar que áreas respondiam mais ao estímulo visual dos rostos. Então, mostraram fotos de rostos humanos para as cobaias. Usando seu algoritmo personalizado para decodificar dados de neurônios, os cientistas acharam que algum tipo de erro tinha acontecido. As imagens que foram produzidas eram quase espelhos das fotografias que as cobaias tinham visto. De novo e de novo, os cientistas conseguiram mostrar o sujeito da fotografia, gravar a atividade cerebral, decodificar essa informação e reproduzir essa imagem que era quase a mesma que a cobaia tinha visto inicialmente.

De novo, essa pesquisa apenas cobre fotos de rostos humanos. Ainda estamos bem longe de mapear todos os objetos que seriam necessários para ver através dos olhos de um macaco, ou de um humano. Os cientistas acreditam que essa pesquisa dá um fim à ideia de que células individuais são programadas com a identidade facial. Eles agora esperam que isso leve a melhores pesquisas e mapeamentos de outros objetos.

[Cell via The Guardian]