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Cofundador do WhatsApp revela por que deixou o Facebook, abrindo mão de milhões de dólares

Os criadores do Instagram, Kevin Systrom e o brasileiro Mike Krieger, anunciaram na segunda-feira (24), que estão de saída do Facebook. Eles não foram os únicos fundadores de aplicativos comprados por Mark Zuckerberg que decidiram cair fora. Em 2017, o cofundador do WhatsApp Brian Acton (foto acima) decidiu sair deixando para trás uma bolada em […]

Os criadores do Instagram, Kevin Systrom e o brasileiro Mike Krieger, anunciaram na segunda-feira (24), que estão de saída do Facebook. Eles não foram os únicos fundadores de aplicativos comprados por Mark Zuckerberg que decidiram cair fora. Em 2017, o cofundador do WhatsApp Brian Acton (foto acima) decidiu sair deixando para trás uma bolada em ações. Alguns meses depois, Jan Koum, o outro cofundador do aplicativo de mensagens, também abandonou o barco.

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Em nenhuma das saídas houve uma explicação formal dos executivos que detalhasse as iniciativas, apenas declarações genéricas. A imprensa apontou que, na verdade, havia um conflito entre os interesses do Facebook com os dos aplicativos. Pela primeira vez, Brian Acton contou o porquê decidiu sair, deixando US$ 850 milhões no caixa da empresa que comprou o seu app por US$ 22 bilhões.

Em entrevista concedida à Forbes, Acton contou que seus princípios foram confrontados pelo modelo de negócios do Facebook. A pressão do CEO da rede social, Mark Zuckerberg, e da chefe de operações, Sheryl Sandberg, pela monetização do WhatsApp foi a faísca para o desgaste.

O Facebook tinha dois planos para ganhar dinheiro com o WhatsApp. Um mecanismo seria o oferecimento de anúncios direcionados e outro o envio de mensagens comerciais, com direito a relatórios de alcance – o que entraria em conflito com a criptografia de ponta-a-ponta presente no aplicativo. Alguns valores iniciais do aplicativo, que pregava um serviço “sem anúncios, joguinhos ou truques” também batiam de frente com as propostas da rede social, especialista em gerar receita a partir de publicidade.

Acton diz que o Facebook não pretende acabar com a criptografia, mas que executivos questionaram e sondaram a possibilidade de oferecer dados de análises para negócios com dados de uso dos usuários do WhatsApp, mesmo em um ambiente criptografado. À reportagem da Forbes, um porta-voz do Facebook confirmou que o WhatsApp deve começar a incluir anúncios na funcionalidade Status no ano que vem, mas que mesmo com a chegada do WhatsApp Business “as mensagens permanecerão criptografadas de ponta-a-ponta” e que “não há planos em mudar isso”.

A proposta de Acton era muito diferente dessa. Para ele, o WhatsApp poderia ser monetizado a partir de uma perspectiva de uso – uma espécie de limite para mensagens gratuitas, pagando bem pouco para um plano ilimitado. A visão de Sandberg e companhia era outra, já que esse modelo “não teria escala”.

“Eles são empresários, são bons empresários. Eles representam apenas um conjunto de práticas de negócios, princípios e ética e políticas com as quais eu não necessariamente concordo”, resumiu Acton para justificar sua saída.

Ele abandonou a empresa um ano antes de poder resgatar uma bolada em ações a qual tinha direito – no total, US$ 850 milhões. Havia ainda uma cláusula no contrato entre ele e o Facebook que garantia esse valor caso o Facebook “começasse a implementar iniciativas de monetização” seu o seu consentimento. E aqui rolou outra desavença.

No escritório de Zuckerberg, Acton revelou sua intenção de sair. Um advogado estava presente e não concordou com a sua interpretação do contrato – segundo ele, o WhatsApp vinha apenas “explorando” iniciativas de monetização, e não as “implementando”. Acton decidiu não brigar pela quantia, enquanto que Jan Koum permaneceu por mais alguns meses na empresa, embora não frequentasse os escritórios. Ele conseguiu resgatar a grana e caiu fora em abril de 2018.

Não é segredo que Acton não é fã do Facebook. Em março, após o escândalo com a Cambridge Analytica ele tuitou: “Chegou a hora. #deletefacebook”. A hashtag representava um movimento para que as pessoas abandonassem a rede social.

Atualmente, Acton trabalha com o pessoal do Signal – aplicativo de mensagens que criou o padrão de criptografia utilizada pelo próprio WhatsApp, além de outros aplicativos como Skype e Google Allo. Ele doou US$ 50 milhões para a empresa e a transformou numa fundação.

“No final das contas, eu vendi a minha empresa”, disse Acton. “Eu vendi a privacidade dos meus usuários para um benefício maior. Fiz uma escolha e um compromisso. E vivo com isso todos os dias”, afirmou.

A entrevista para a Forbes está muito boa. Se você lê em inglês, vale a pena conferir. Lá, Acton fala ainda sobre o período que ele teve de depor na União Europeia e de detalhes da fundação do WhatsApp.

[Forbes]

Imagem do topo: WhatsApp

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