O Apple-1 foi o primeiro produto pensado por Steve Jobs e Steve Wozniak, e quando uma das 50 unidades feitas aparecem em leilões, elas são vendidas por uma fortuna. Estas frágeis peças da história da computação são vendidas por mais de US$ 300 mil.

Jimmy Grewal recentemente comprou uma dessas placas em uma venda privada da casa de leilões Christie’s de um vendedor anônimo. Ele tem falado sobre seu processo para fazê-la funcionar no Twitter. A placa em si não estava listada na relação de Mike Willegal, um dos experts em Apple-1, tornando esta unidade desconhecida ainda mais rara. Justamente por isso, Grewal estava planejando comprá-la assim que possível. E assim o fez.

Um garoto de 15 anos tem praticamente um museu da Apple

“Tenho coletado computadores antigos da Apple desde a metade da década de 1990 quando eu estudava na Duke…embora meu primeiro Apple eu tenha ganhado em 1983 [era um Apple II+ de 1979] quando estava no 1º ano”, disse Grewal ao Gizmodo. Sua coleção de dispositivos desde então foi só aumentando. Antes de se mudar para Dubai e iniciar sua própria companhia, a Elcome, ele trabalhou como gerente de projeto da Microsoft, atuando especificamente no Internet Explorer para Mac.

Embora se descreva como um “cara do software”, Grewal tem uma vantagem, pois sua empresa conta com uma divisão de reparo de placas de circuito.

“A equipe de lá [da empresa] me ajudou a montar a réplica do Apple-1 no ano passado na possibilidade de eu nunca pôr as mãos em um original…o esforço valeu a pena, pois temos as ferramentas, o conhecimento e a experiência em restaurar algo tão raro e valioso”. Embora o primeiro passo seja a limpeza básica, e ele acabou de receber a placa nesse último fim de semana, o conhecimento obtido durante a produção da réplica já deve ajudar.

Testes elétricos feitos na placa do Apple-1

“Nós começamos a fazer os testes elétricos e encontramos um problema que já estamos trabalhando para resolver. Nós não temos certeza se é um componente em específico ou se são vários que estão causando a anomalia”, disse. Pode ser algo fácil ou algo que exige remover a solda de setores inteiros de uma relíquia de algumas décadas. E todas as peças devem ser substituídas por alternativas mais próximas o possível das originais.

“Nos últimos dois anos, como passei a levar a atividade de conseguir um mais a sério, passei a adquirir peças e acessórios que seriam úteis no futuro. Alguns são recuperados de equipamentos similares antigos, como máquinas de fliperama, especificamente arcades do Atari de 1975/76/77. Alguns são de estoques antigos. Outros componentes eu comprei no eBay. Em todos os casos, nós só usamos os componentes exatos para substituir e que correspondem à data de produção do Apple-1.”

Embora os Apple-1 geralmente sejam vendidos por centenas de milhares de dólares, Grewal teve a oportunidade de comprar um de uma ex-funcionária da Apple em 1999 quando ele vivia em San Francisco. “Ela queria US$ 25 mil e eu tinha uma parte do dinheiro que estava poupando para a universidade. Em vez disso, eu investi o que eu tinha em ações da Apple. Depois vendi algumas dessas ações para comprar este Apple-1 [recém-adquirido] para completar minha coleção”, afirmou. Financeiramente, parece que foi um bom negócio.

Alguns itens da coleção de Jimmy. Começando de cima: um Macintonsh edição de 20º aniversário, um iMac G3 original, G4 Cube, G3 iBook, Powerbook 100 e um Macintosh Portable

Algumas pessoas dedicam suas vidas para colecionar cada modelo e protótipo de hardware de alguma companhia. Grewal, pelo menos nisso, é menos obsessivo. “Muitos da minha coleção eu comprei novo ou eu desejava bastante ter. Meu objetivo não era ter um de cada, apenas os que significam algo para mim.”

Embora ele considere o Apple-1 a joia da coroa de sua coleção, ele não pretende deixá-lo em uma estante de seu escritório. “Espero eventualmente achar um museu ou algum espaço público próximo a mim onde eu possa deixá-lo exposto. Quero que o maior número de pessoas possível o veja em vez de deixar escondido na minha sala como se fosse um troféu. Esses computadores já ficaram escondidos por quase 40 anos.”

Todas as fotos por Jimmy Grewal