Uma análise de uma recente pesquisa mostra que pessoas que comem pelo menos 20 gramas de nozes por dia têm menos probabilidade de desenvolver condições mortais, como câncer e problemas de coração.

O café da manhã ideal para atletas olímpicos tem carne, castanhas e mais carne
Pesquisadores transformaram escamas de peixe em uma fonte de energia renovável

O estudo publicado no periódico BMC Medicine destaca os impressionantes benefícios para a saúde do consumo regular de nozes como noz-pecã, avelã e mesmo amendoim (que tecnicamente é um legume). Comer apenas 20 gramas de noz diariamente esteve ligado a 30% na redução de risco de doença coronária. O consumo de noz também estava associado à redução de risco de morrer de doenças respiratórias e diabetes, embora essas correlações ainda estavam fracas e envolvem apenas amostras pequenas.

De qualquer jeito, estes números são impressionantes. Pesquisas anteriores mostravam que o consumo de nozes reduzia o risco de problemas de coração e “todas as causas de mortalidade” — isso mesmo, literalmente qualquer causa de morte. Porém, associações potenciais com tipos de morte menos comuns ainda não tinham sido inteiramente estudadas.

Para corrigir este descuido, uma pesquisa da equipe do Imperial College London e da Norwegian University of Science and Technology agrupou 29 estudos publicados de várias partes do mundo para conduzir a mais exaustiva análise entre pesquisas sobre consumo de noz e seus benefícios para a saúde.

Coletivamente, estes estudos envolveram mais de 819 mil participantes, e incluem mais de 12 mil casos de doença coronária, 18 mil casos de doença cardiovascular e câncer, e mais de 85 mil mortes. As diferenças entre as populações foram estudadas (por exemplo, diferenças entre homens e mulheres, ou pessoas com diferentes fatores de risco), mas mesmo contando todos esses fatores, os pesquisadores acharam evidências consistentes que o consumo de nozes pode estar ligado a uma redução de doenças.

“Encontramos uma consistente redução no risco entre diferenças doenças, o que é uma indicação forte de que há relação oculta entre consumo de nozes e diferentes resultados em matéria de saúde”, disse Dagfinn Aune, uma das coautoras do estudo do Imperial College London, em um comunicado. “É um efeito substancial para esta baixa quantidade de comida [ingerida].”

É importante notar que a correlação não é a causa; este estudo não aborda mecanismos fisiológicos que podem contar com dramática redução no risco de ter certas doenças. É possível, por exemplo, que o consumo de nozes esteja conectado com outros tipos de hábitos saudáveis (por exemplo: pessoas que comem nozes podem ser mais preocupadas com a saúde e comem muitos vegetais e frutas).

Dito isso, o valor nutricional das nozes é dificilmente um segredo. Elas têm grandes quantidades de fibras, magnésio e gorduras poliinsaturadas — nutrientes importantes pare reduzir o risco de doenças cardiovasculares e reduzir os níveis de colesterol.

“Algumas nozes, particularmente as avelãs e as nozes-pecã são altamente antioxidantes, que podem ajudar a combater o estresse oxidativo e possivelmente reduzir o risco de câncer”, afirmou Aune. “Ainda que elas sejam muito gordurosas, elas também têm muita fibra e proteína, e há mais algumas evidências que sugerem que as nozes podem ajudar a reduzir o risco de obesidade com o tempo.”

Infelizmente, os pesquisadores não conseguiram concluir que a manteiga de amendoim oferece os mesmos benefícios para a saúde. O estudo diz que “é possível que ao acrescentar açúcar ou sal na manteiga de amendoim pode, na verdade, tirar qualquer efeito benéfico do amendoim.” O que traz um outro ponto interessante: sal em excesso nas nozes pode negar alguns de seus benefícios à saúde. Além disso, os pesquisadores descobriram que comer mais de 20 gramas de nozes por dia não melhora a saúde, então não vai adiantar comer nozes loucamente a partir de agora.

[BMC Medicine]