No último domingo (27), equipes de resgate encontraram a segunda caixa preta do avião Boeing 737-800, da China Eastern Airlines, que caiu na última semana. O equipamento pode ajudar a explicar o acidente, que matou 132 pessoas e ainda possui muitas questões em aberto.

Enquanto fazia uma viagem entre as cidades de Kunming e Guangzhou, no sudoeste da China, a aeronave fez um repentino mergulho enquanto estava em altitude de cruzeiro, iniciando uma queda vertiginosa de poucos minutos, até atingir o solo em um ângulo próximo de 90 graus — caindo de bico.

Segundo autoridades, os pilotos não responderam às repetidas ligações dos controladores de tráfego aéreo e de aviões próximos durante a rápida descida. Portanto, a resposta pode estar nas duas caixas-pretas já recuperadas.

O funcionamento da caixa preta

A invenção da caixa preta é atribuída ao cientista australiano David Warren, durante a década de 1950. Apesar do nome, elas são alaranjadas fluorescentes, para elas serem facilmente reconhecíveis em meio aos destroços de aviões.

Geralmente, as aeronaves contam com duas caixas pretas, sendo uma para armazenar gravações das conversas de voz no interior da cabine dos pilotos e outra para dados técnicos dos momentos finais do voo — como altitude, velocidade do ar, direção e empuxo do motor. Elas podem fornecer uma imagem mais clara do que provocou o acidente, por meio de uma simulação via software.

Os dados são gravados em chips e outros formatos, podendo armazenar desde algumas dezenas de minutos a várias horas de informações, dependendo do modelo utilizado. Elas são feitas de aço inoxidável ou titânio, pesam cerca de 4,5 quilos e, normalmente, são colocadas na cauda do avião. Elas podem resistir a impactos 3.400 vezes a força de gravidade e temperaturas de mais de 1.000ºC. Mesmo assim, alguns modelos mais novos contam com sistema de ejeção durante a queda, para evitar potenciais danos ao equipamento durante a colisão com o solo.

O uso de caixas-pretas é obrigatório em aeronaves com mais de seis assentos e serve para ajudar a entender as causas e prevenir acidentes. Porém, futuramente, elas poderão ser substituídas por sistemas mais modernos, que transmitem os dados do avião em tempo real e via satélite.

Esclarecendo o acidente com o Boeing 737-800

Apesar de parte das caixas pretas estarem “gravemente danificadas”, especialistas chineses esperam decifrar o mistério da queda do avião, que se desintegrou totalmente durante o impacto.

Durante o procedimento, o material de proteção dos gravadores é retirado e as conexões são limpas cuidadosamente. Assim, os dados podem ser baixados e copiados. Dependendo das condições do equipamento, pode ser necessário o envio das mesmas para especialistas terceirizados.

A expectativa é tentar responder como um avião que estava em velocidade e altitude de cruzeiro — o ponto mais seguro de um voo — despencou de uma grande altitude e em tão pouco tempo, algo considerado anormal na aviação, mesmo em uma situação de emergência. O silêncio no rádio e uma pequena recuperação na altitude nos segundos finais da queda podem indicar que os pilotos estavam ocupados tentando evitar a queda.

Ainda não há um prazo para que as autoridades da China emitam um relatório sobre as causas do acidente. Mas, geralmente, um documento preliminar é feito cerca de um mês após o acidente. Já uma análise completa pode demorar mais de um ano.

Normalmente, um acidente aéreo com aviões modernos é motivado por uma série de fatores e circunstâncias. As suspeitas vão desde falhas técnicas em estabilizadores da cauda do avião, problemas com motores ou intervenção humana (seja por erro ou derrubada proposital da aeronave pelos próprios pilotos).