Dias estressantes fazem parte do cotidiano de qualquer ser humano. O sentimento pode ocorrer após uma situação desagradável no trabalho ou mesmo uma briga dentro de casa, que deixa a pessoa com os nervos à flor da pele. 

O estresse pode ser comunicado aos outros através de um simples aviso ou pelas mudanças fisiológicas apresentadas pela pessoa sobrecarregada. Em alguns casos, essa resposta do organismo pode até mesmo ser transmitida a outras pessoas –o que pode desencadear o pânico em massa em determinadas situações. 

Mas o estresse não é exclusividade dos humanos. Pesquisadores da Universidade de Constança, na Alemanha, mostraram que os animais também podem passar por dias ruins e transmitir o sentimento para outros membros do grupo. 

Em estudo publicado na revista científica Proceedings of the Royal Society B, os cientistas indicaram que o estresse está profundamente enraizado evolutivamente e é desencadeado de forma semelhante em todos os animais vertebrados.

Os animais selvagens, por exemplo, enfrentam situações de estresse quando estão expostos a predadores. As mudanças no habitat e a poluição sonora e luminosa providenciadas pelos humanos também contribuem para o estresse das espécies. 

Apesar dos animais serem flexíveis e se adaptarem aos novos cenários, o sentimento é transmitido ao resto do grupo, o que causa uma alteração generalizada.

Esse contágio social afeta não apenas a saúde dos seres, mas também impacta na dinâmica social e no desempenho coletivo dos grupos, além da sobrevivência individual e reprodução. Afinal, ninguém quer trabalhar em equipe quando está estressado.

Os pesquisadores pretendem continuar estudando este comportamento animal. Seus próximos passos envolvem a realização de estudos empíricos em pássaros, camundongos e humanos, com o objetivo de descobrir quais efeitos o estresse tem no grupo.

Os cientistas devem avaliar, por exemplo, a influência do número de indivíduos afetados pelo estresse na resposta coletiva.