O morango branco já teve seu momento de glória. Ele foi cultivado pela primeira vez pelos indígenas mapuches, que habitam a região centro-sul do Chile e do sudoeste da Argentina. Os povos originários usavam a fruta para preparar uma bebida fermentada chamada chicha e também remédios para combater a indigestão. 

As frutillas blancas, como são conhecidas no Chile, foram levadas à Europa por volta de 1714. Três décadas depois, a iguaria seria cruzada com o morango silvestre, dando origem à fruta vermelha e docinha que conhecemos hoje.

Mas fica a questão: por que o morango branco não está mais no mercado? Como mostrou a reportagem da revista online Atlas Obscura, o boicote à fruta parece ter começado em 1985, quando a linha de trem Lebu-Los Sauces foi fechada. Esse era o meio de transporte utilizado para levar o morango aos grandes centros comerciais. 

Além disso, na mesma época, a indústria madeireira começou a plantar enormes extensões de pinheiros e eucaliptos nas regiões ao norte do Chile, onde os morangos eram plantados. A iniciativa parece ter degradado o solo, atrapalhando o cultivo da fruta. 

Hoje, há menos de duas dúzias de famílias trabalhando com morangos brancos, que lutam para manter sua cultura viva. O cultivo ocorre apenas nas altas colinas das cidades de Contulmo e Purén, como o quilo da iguaria sendo vendido a 22 mil pesos chilenos (R$ 130).

As mudanças climáticas também atrapalham os agricultores. A neve que cai no inverno ajuda a induzir a floração, recheando as colheitas. Mas estes eventos estão se tornando cada vez mais raros, dando lugar a secas maléficas para os morangos brancos.

Pesquisadores da Universidad de Concepción, no Chile, estudaram os morangos brancos por cerca de quatro anos, buscando formas de preservar e valorizar a espécie. Ao final, perceberam que os fungos micorrízicos arbusculares, que se associam às raízes das plantas num processo de simbiose, eram fortes biofertilizantes para o fruto.

Descobertas científicas, assim como a criação da rota turística das frutillas blancas, são formas que os chilenos estão encontrando para manter o cultivo do morango. O ingrediente também tem sido usado para fazer sorvetes, sucos e até como tempero para peixes no restaurante Boragó, em Santiago. Caso esteja com malas prontas para o destino, vale adicionar o local em seu roteiro.