Você provavelmente já ouviu alguém falar que a "mídia impressa está morrendo". Mas será que ela está sumindo mesmo ou migrando para o meio digital? E como serão as publicações eletrônicas quando tablets e smartphones forem regra, daqui a 5, 10 anos? Chamamos para conversar aqui na redação um cara que poderia nos ajudar a imaginar essas respostas: Crystian Cruz, um tipógrafo que foi editor de arte de diversas revistas e um dos maiores estudiosos das publicações eletrônicas. Entre na discussão.

Crystian passou algum tempo na Inglaterra e mostrou que, lá fora, só dois tipos de revistas tendem a resistir: as customizadas e as de estilo de vida. As customizadas são as feitas por alguma marca específica e distribuídas para os seus clientes. Um bom exemplo lá: a revista do Chelsea, que é mais grossa que a Placar e é vendida antes do jogo, com informações sobre os times, entrevistas e belas fotos.



As de estilo de vida são para um público bem específico e são leves. Dá para ler deitado perto da piscina, hoje ou daqui a um ano. Há vários exemplos mundo afora que o Crystian trouxe pra gente, como uma especializada em cachorros e a relação com os donos ou estilo de vida para jogadores de futebol. Essas revistas precisam abusar de fotos e ter um conteúdo divertido, para atingir alguém específico que busca ali não se informar, mas relaxar.  

Para Crystian, essas duas vertentes são mercados que ainda está crescendo e devem sobreviver por algum tempo. Mas e o resto? Os jornais estão ficando cada vez mais velhos, mostrando, sem se aprofundar, as notícias que todo mundo leu ontem na Internet ou viu na TV – com mais imagens e vídeos. Com exceção dos populares e os gratuitos distribuídos no metrô, todos os grandes veículos estão perdendo dinheiro. Mudar para o meio digital, com simples sites, parece ser a única alternativa. A versão do New York Times para o iPad parece ser um exemplo a ser seguido

E as revistas? Veja, Info, Superinteressante, Marie Claire, Época, Quatro Rodas, Galileu… Elas provavelmente terão que se reformular e, talvez sobreviver apenas em forma digital em uns 10 anos. Mas não bastará simplesmente oferecer o .pdf da versão impressa. As revistas têm a chance de fazer algo bem mais interessante, e podem lucrar com a assinatura digital. Você pagaria para ler algo que está disponível online? Se for algo como a Sports Illustrated – exemplo mostrado pelo Crystian -, eu pago feliz: 

Há gente que não dispensa o papel, gosta de recortar, colecionar revistas. Mas é difícil achar pessoas assim com menos de 30 anos. Os mais jovens se acostumaram a buscar suas informações em uma tela. E, para essas pessoas (eu incluso): como – e em quanto tempo – os veículos tradicionais deixarão de usar tinta e papel?

É bom que fique claro: não é uma questão de rivalidade dos sites e blogs contra os jornais e revistas. Nós aqui precisamos da tal "velha mídia". Sim, postamos de forma diferente, colocamos opinião e tudo, mas em várias vezes, usamos como fonte a reportagem e o trabalho de jornalistas de grandes jornais e revistas que são pagos para apurar e checar a informação, não apenas caçar links.

Blogs como o Giz devem à mídia tradicional, e queremos que bons jornais e revistas sobrevivam de alguma forma. Mas honestamente eu prefiro lê-las no meu iPad de quarta geração ou Courier. Ou, melhor ainda, queria que o Giz virasse uma revista eletrônica, como a sports Illustrated aí em cima, sem precisar derrubar nenhuma árvore para isso.

E vocês?