As criptomoedas ganharam um novo nome que tem chamado muita atenção recentemente pela sua valorização incrível, a Ethereum (ETH). No entanto, na semana passada, ela sofreu uma queda drástica e algumas pessoas passaram a desconfiar de negociações obscuras no câmbio. A empresa por trás da moeda reassegurou aos investidores que os valores serão pagos em sua totalidade, mas ainda há riscos.

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Entre as diversas razões pelas quais investidores deveriam se preocupar ao investir em criptomoedas, como a Bitcoin ou a Ethereum, é a chance de que o câmbio simplesmente desapareça junto com o seu dinheiro. Quando o exchange GDAX passou por uma quebra repentina na semana passada, os investidores ficaram apreensivos, e com razão. Por um rápido momento, a moeda despencou do valor de US$ 320 para cerca de US$ 0,10. Ela se recuperou rapidamente, mas para alguns investidores, o prejuízo já estava feito.

O TechCrunch explica:

A quebra instantânea foi resultado de alguém que colocou uma ordem de venda de milhões de dólares a preço de mercado, o que significa que a ETH trocaria de mãos a qualquer preço que licitantes oferecessem naquele momento, até que a ordem fosse completada – não importando o quão menor era o preço em relação à cotação da ETH naquele momento.

Completar essa ordem fez com que os preços da ETH flutuassem instantaneamente em 30%, chegando a US$ 224 – o que, por sua vez, causou 800 ordens de stop-loss [prevenção de prejuízo] e liquidações de margem, que diminuíram ainda mais o preço, chegando a US$ 0,10.

Uma ordem de stop-loss é um limite que um operador coloca sobre o quão baixo o preço pode chegar antes que a moeda seja vendida. Um operador pode colocar, por exemplo, que o menor preço que ele considera aceitar é de US$ 50. Quando o preço passa desse ponto, todos os ativos do investidor são automaticamente vendidos. A liquidação do financiamento da margem funciona da mesma forma. Um investidor pega dinheiro emprestado para colocar no mercado, e se o ativo cai para um determinado preço, tudo é vendido para pagar os credores.

A Coinbase, empresa-mãe que faz a GDAX funcionar, diz que irá utilizar os fundos da companhia para creditar os consumidores que foram prejudicados por essa quebra repentina. A iniciativa é boa para esses investidores, mas quem realmente ganha com essa situação são as pessoas que conseguiram comprar a Ether (Ethereum é o blockchain, Ether é o ativo) a um preço incrivelmente baixo. Atualmente, o preço praticamente se recuperou, está em US$ 265.

Isso não significa necessariamente que a GDAX é maravilhosa e confiável. Eles estão em uma crescente incrível há meses (+4,100% do início do ano fiscal até agora), e a última coisa que eles querem é uma quebra de confiança com os investidores. As ofertas de moedas podem durar anos antes que todos os envolvidos se deem mal realmente.

Além disso, não espere que seja a última vez que algo do gênero aconteça com a Ether. A GDAX está ensinando aos usuários sobre o espaçamento de grandes negociações, para que falhas possam ser evitadas. No entanto, isso não significa que as pessoas irão se importar. Um dos maiores motivos pelos quais as criptomoedas estão se valorizando exponencialmente é a decisão do Japão em começar a regulamentar o câmbio de bitcoins. Os investidores de Wall Street também estão entrando no jogo. Isso faz com que as coisas pareçam mais legítimas, mas ainda é um mundo bem obscuro. Analistas atribuem também o ganho de preço a companhias que estão acumulando criptomoedas para casos de resgates a partir de ciberataques.

A volatilidade nesse negócio deve continuar por um bom tempo, ou para sempre. Infelizmente, essa volatilidade pode afetar mercados tradicionais. Analistas já perceberam que a mineração de Bitcoin têm aumentado o valor de fabricantes de GPU como Nvidia e AMD. Uma súbita retirada de investidores das operações de mineração poderia desestabilizar as ações dessas empresas.

[TechCrunch, The Street]