Uma equipe de cientistas na China se tornou a primeira a tratar um paciente humano com a ferramenta de edição de genoma CRISPR-Cas9. Embora os resultados dos testes ainda permaneçam incertos, este é um marco histórico que deve chamar a atenção de todo o mundo.

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A equipe de pesquisadores liderados pelo oncologista Lu You, da Universidade de Sichuan, inseriu células imunológicas modificadas em um paciente que sofre de uma forma agressiva do câncer de pulmão. Os cientistas utilizaram a CRISPR-Cas9 para tornar as células mais resilientes na presença do câncer, e esta é a primeira vez que a ferramenta é utilizada num tratamento em humanos.

O estudo foi limitado a apenas um paciente com o objetivo de testar a segurança da CRISPR. Dado os resultados encorajadores, outros 10 pacientes serão tratados como parte de um teste clínico conduzido no West China Hospital, em Chengdu.

Células geneticamente modificadas já foram transplantadas em humanos antes, mas o uso da CRISPR é importante por ser o sistema mais eficiente, poderoso e fácil de usar disponível atualmente. A notícia de que a ferramenta foi finalmente utilizada num paciente humano deve atrair a atenção de cientistas em outras partes do mundo, e acelerar a corrida para o uso de tratamentos com células modificadas.

Como disse Carl June, professor de imunoterapia da Universidade da Pensilvânia, à Nature News: “acho que isso irá desencadear o ‘Sputnik 2.0’, um duelo biomédico entre a China e os Estados Unidos – que é importante, já que a competição normalmente melhora o produto final.”

O tratamento

Para tratar o paciente com câncer de pulmão em metástase, a equipe de Lu You removeu células imunológicas do sangue dele e então removeu um gene utilizando a CRISPR-Cas9. Este código genético indesejado serve para uma proteína que interrompe a resposta imunitária da célula – uma peculiaridade genética que o câncer explora para se espalhar ainda mais.

As células modificadas foram então cultivadas para criar um grande lote, e depois injetadas de volta no paciente. Espera-se que as células modificadas ataquem e vençam o câncer, e segundo Lu, o início do tratamento foi bem promissor.

Os EUA estão ligeiramente atrás da China nesta área, refletindo o contraste entre o entusiasmo da China pela biotecnologia e a apreensão da América quando se trata de trabalhos como esse. Em 2015, uma outra equipe na China se tornou a primeira a modificar geneticamente um embrião humano usando a CRISPR. Cientistas e especialistas em bioética nos EUA levaram em conta o avanço chinês e aprovaram diretrizes que deveriam colocar o país num caminho similar.

Este avanço mais recente feito por Lu e sua equipe deve motivar tentativas parecidas nos EUA e em outras regiões. E de fato, já existem planos de iniciar testes clínicos nos Estados Unidos usando a CRISPR para tratar câncer de bexiga, próstata e rim, embora nenhum dos testes tenha sido aprovado, ou tenha o financiamento necessário.

[Nature News]

Imagem: células imunológicas atacando um tumor (Memorial Sloan Kettering Cancer Center)