Falamos muito sobre gelo aqui no Gizmodo – ou, mais especificamente, sobre a crescente ausência dele. Um novo estudo coloca o que está acontecendo com o planeta em uma perspectiva impressionante. Embora eu possa dizer que 1,2 trilhão de toneladas de gelo desapareceu a cada ano desde 1994, essa pesquisa torna muito mais fácil de entender o cenário visualmente.

Este cubo de gelo na imagem aí em cima eleva-se a 10 quilômetros no céu como um guarda-sol sobre Manhattan e se estende por uma grande faixa de New Jersey, do aeroporto de Newark a Jersey City. Isso é o quanto perdemos com a queima de combustíveis fósseis em média por ano nas últimas duas décadas. Os arranha-céus do Financial District e do Midtown são palitos de dente. De forma ainda mais preocupante e ameaçadora, o cubo está ficando maior à medida que a perda de gelo se acelera.

A ilustração do cubo de gelo está ligada a um estudo publicado na Cryosphere na segunda-feira (25) que examina o estado da criosfera. Uma equipe de cientistas de todo o Reino Unido usou medições de satélite e modelos climáticos para explorar o que está acontecendo com cada canto e fenda de gelo ao redor do globo. Embora a maioria dos estudos se concentre no gelo marinho ou terrestre, o novo artigo analisa ambos para nos dar uma melhor compreensão de quanto derreteu devido às mudanças climáticas.

“Tem havido um grande esforço internacional para estudar regiões individuais, como geleiras espalhadas por todo o planeta, as camadas de gelo polares da Groenlândia e da Antártica, as plataformas de gelo flutuando ao redor da Antártica e o gelo marinho se movendo nos oceanos Ártico e Meridional”, Tom Slater, o principal autor do estudo e pesquisador de gelo da Universidade de Leeds, disse em um e-mail. “Sentimos que agora havia dados suficientes para combinar esses esforços e examinar todo o gelo que está sendo perdido do planeta.”

Os resultados mostram que o gelo marinho do Ártico é o que tem desaparecido mais rápido. A impressionante quantidade de 7,6 trilhões de toneladas tornou-se líquida de 1994 a 2017, período para o qual o estudo tinha dados. Isso foi seguido pelas plataformas de gelo da Antártica, que viram 6,5 trilhões de toneladas de gelo desaparecerem, às vezes de forma catastrófica. O exemplo mais recente é o Iceberg A68, do tamanho de Delaware, que se soltou da plataforma de gelo Larsen C em 2017 e desde então vagou pelos oceanos Atlântico e Sul. Mais recentemente, ele quase colidiu com uma ilha ecologicamente sensível.

Mas outras formas mais insidiosas desse tipo de evento estão acontecendo. O estudo não olha apenas para a área de gelo; também analisa o volume. E os impactos mais chocantes nas plataformas estão acontecendo abaixo da superfície. Placas de gelo se projetam sobre o oceano, segurando as geleiras nos mantos em terra. Mas no oeste da Antártica, observações diretas e de satélite mostram que a água quente está corroendo as plataformas de gelo e pode eventualmente causar o seu colapso. Se isso acontecer, a elevação do nível do mar se acelerará e não parará por séculos; o gelo na Antártica Ocidental pode elevar os mares em mais de 3 metros.

As geleiras terrestres no Alasca, no Himalaia e em outros lugares também são os principais responsáveis ​​pelo aumento do nível do mar, assim como as geleiras e mantos de gelo da Groenlândia. Eles estão todos desaparecendo a um ritmo alarmante. A ameaça de perda de água em regiões que dependem de geleiras e derretimento de neve é ​​certamente uma grande preocupação.

O mesmo ocorre com o desaparecimento do gelo marinho e seu impacto sobre os modos de vida tradicionais do Ártico. E o aumento gradual, mas acelerado do nível do mar, pode ter um efeito drástico quando os furacões rugem na costa, empurrando as tempestades para o interior, graças ao impulso das mudanças climáticas. Talvez o mais sinistro seja o fato de que o derretimento é apenas um pequeno aspecto das mudanças que estão acontecendo.

“Descobrimos que levou apenas cerca de 3% do excesso de calor criado pelas emissões de gases de efeito estufa para derreter todo esse gelo, uma quantidade surpreendentemente pequena de energia para derreter uma quantidade tão grande de gelo, que tem um efeito desproporcionalmente grande em nosso meio ambiente”, disse Slater.

Ou seja, o cubo de gelo gigante mostra apenas uma pequena parte do impacto das atividades humanas no planeta.