O contrato do Departamento de Polícia de Nova York (NYPD na sigla em inglês) com o cão robô que gerou inúmeros memes de Black Mirror foi interrompido. Nesta quarta-feira (28), um subcomissário do NYPD confirmou ao New York Times que em resposta ao viral provocado pelo chamado Digidog — junto com uma intimação de funcionários do conselho municipal — o Departamento rescindiu seu contrato de US$ 94.000 com os criadores do robô, Boston Dynamics, no início deste mês.

John Miller, subcomissário do Departamento para inteligência e contraterrorismo, disse ao Times que o contrato deveria seguir até meados de agosto, completando um ano inteiro depois que o Digidog foi adquirido pela primeira vez. Em vez disso, o Departamento silenciosamente cortou seus laços em 22 de abril, aparentemente tendo sido usado em campo apenas seis vezes antes de ser enviado de volta para Boston Dynamics.

“As pessoas descobriram os bordões e a linguagem para de alguma forma criar esse mal”, disse Miller, ao se referir a tecnologia ter se tornado um “alvo” em discussões sobre raça, vigilância e horror distópico em geral.

No passado, os executivos da Boston Dynamics apontaram que a maioria de seus cães-robô não são realmente usados pela polícia. Na maior parte, eles são usados para tarefas bastante mundanas como a realização de inspeções de segurança para trabalhadores da rede ou digitalização de layouts de edifícios para empresas que procuram fazer construção. Um porta-voz da empresa disse ao Times na quarta-feira que os robôs não foram projetados “para serem usados como armas, infligir danos ou intimidar pessoas ou animais”.

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Mas isso não muda o fato de que este cão-robô foi colocado nas mãos do NYPD, que esteve envolvido no uso de armas que causaram danos e intimidações a várias pessoas. Por falar nisto, já vimos antes o que acontece quando robôs como o Digidog acabam nas mãos da polícia. Em 2016, a polícia de Dallas usou um robô ambulante equipado com bomba para matar um homem suspeito de matar cinco policiais. Embora esses tipos de robôs-bomba tenham sido usados ​​no campo de batalha americano durante anos, os especialistas da época observaram que o caso de Dallas foi o primeiro que a polícia realmente usou um robô para matar. Cinco anos depois, as consequências daquele caso naturalmente se propagaram para as conversas sobre o Digidog.

De acordo com o Times, há uma chance de que o robô possa voltar às fileiras do Departamento em algum momento no futuro, caso os funcionários decidam que ele é mais “eficaz” do que outra tecnologia que está atualmente em campo. Contudo, se isso acontecer, pelo menos sabemos como chutar seu bumbum metálico.