Uma equipe internacional de pesquisadores descreveu os restos pós-cranianos de um anquilossauro encontrado no deserto de Gobi, na Mongólia, expandindo o conhecimento dos paleontólogos sobre a diversidade e evolução desta família. A equipe sugere que estes dinossauros podem ter usado a escavação para fins defensivos ou estratégicos. A pesquisa deles sobre um anquilossauro do Cretáceo — ainda não associado a uma espécie particular, já que eles são descritos com base em seus crânios, e este esqueleto foi encontrado sem cabeça — foi publicada nesta quinta (18) na Scientific Reports.

Este fóssil de anquilossauro está incrustado em um molde em forma de nugget de frango. Está morto há cerca de 70 milhões de anos e, embora tenha sido descoberto há cerca de 50 anos, só em 2008 uma equipe de escavação teve recursos e tempo suficientes para analisá-lo. Ele foi transportado para um laboratório sul-coreano em 2012 para ser preparado e devolvido à Mongólia quatro anos depois.

Os restos mortais articulados do anquilossauro. Imagem: Yuong-Nam Lee.

“Esqueletos de corpo articulado de dinossauros blindados são bastante raros”, disse Yuong-Nam Lee, paleontólogo da Universidade Nacional de Seul, na Coreia do Sul, e coautor do artigo, por e-mail. “O esqueleto quase completo que estudamos recentemente forneceu informações valiosas sobre sua evolução e comportamento. Ao comparar nosso espécime com outros dinossauros relacionados, agora sabemos que os dinossauros blindados da Ásia desenvolveram corpos rígidos e diminuíram o número de falanges pedais [dedos] ao longo do tempo.”

Você pode pensar que um anquilossauro com corpo rígido não é novidade. Contudo, a equipe de Lee descobriu que esse dinossauro mongol tem ainda menos flexibilidade do que seus primos anquilossaurídeos da América do Norte, talvez para suportar suas caudas mais longas ou devido as suas vértebras fundidas. O número reduzido de dedos do pé, escreveram os autores, provavelmente surgiu como uma adaptação para suportar seu peso. Isso também teria diminuído a mobilidade dos animais, tornando-os ainda mais parecidos com tanques do que se acreditava anteriormente.

O local da escavação no sul de Gobi. Imagem: Yuong-Nam Lee.

A parte mais significativa talvez seja que a equipe paleontológica argumenta que os anquilossauros podem ter sido “feitos” para escavar. Essa rigidez esquelética teria estabilizado o animal quando ele estava cavando com as patas dianteiras, escreveram os autores, e a ligeira curva dos dedos dos pés teria dado as patas dianteiras um formato semelhante a uma espátula de pedreiro. Os autores não apenas sugerem que os anquilossauros eram animais escavadores, mas vão além disso: ao se defrontar com um terópode feroz, esses dinossauros podiam cavar trincheiras e se agachar, deixando apenas a pele óssea exposta à superfície. Lee compara esse comportamento aos lagartos do gênero Phrynosoma.

“Estamos curiosos para saber se os jovens anquilossauros também eram capazes de cavar”, disse Lee. “Os bebês anquilossauros não têm uma armadura corporal extensa em seus corpos, e isso devia torná-los vulneráveis ​​a predadores. Se os bebês pudessem cavar, então morar em espaços subterrâneos parece possível, como os tatus fazem hoje.”

Isso é especulativo, mas ter um esqueleto bem articulado dá aos futuros paleontólogos algo mais para olhar do que uma cabeça dura — geralmente, são encontrados apenas os crânios destes animais, sem o corpo. Os autores do estudo encontraram orifícios perfurados no esqueleto, evidências de besouros dermestídeos, que são conhecidos por seu apetite por carne podre. Isso sugere que o animal ficou deitado por algum tempo após sua morte.

“Ao pesquisar como os elefantes obtêm minerais, comida ou água, pude perceber que esse comportamento foi sugerido para saurópodes também”, disse ReBecca Hunt-Foster, paleontóloga do Monumento Nacional dos Dinossauros em Utah. “Eles também podem ter usado sua escavação para escavar ninhos. O comportamento pode ser difícil de inferir apenas com base nos fósseis do corpo.”

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Os pesquisadores também encontraram cinco falanges terópodes embutidas nas costelas do anquilossauro. Claramente, ele tinha um bom motivo para se proteger tanto assim.