A pandemia tem feito muitos cinemas falirem. Por causa disso, a Disney tem sido muito cautelosa em relação a seus futuros lançamentos. Uma nova reportagem, porém, sugere que mais filmes de grande orçamento podem chegar direto ao Disney+, assim como aconteceu com Mulan e Artemis Fowl. Mesmo depois do fim da pandemia, esse pode ser o novo padrão da indústria.

O Deadline informou na semana passada que a Disney pode estar de olho no lançamento em streaming de vários de seus próximos títulos, incluindo Cruella, Pinocchio e Peter Pan e Wendy — todos estavam originalmente programados para serem lançados nos cinemas.

O site disse que ainda não se sabe se os filmes seriam lançados diretamente no Disney+ ou se seriam oferecidos com preço premium na plataforma Premier Access, como a empresa fez com o remake live-action de Mulan. O Deadline também acrescenta que nenhuma decisão final foi tomada, o que significa que os lançamentos podem seguir nos cinemas como planejado.

Essa medida, no entanto, faria sentido para a Disney, já que muitos cinéfilos ainda não consideram voltar às salas, seja pelo fechamento dos cinemas, seja por medo mesmo. Além disso, os executivos da empresa deixaram claro no último relatório financeiro que o foco da companhia está na sua plataforma de relacionamento direto com o consumidor.

Conteúdos novos e exclusivos são cruciais para o sucesso do Disney+. A empresa poderia aproveitar seus filmes que estão para ser lançados para conseguir mais assinantes, já que a situação sanitária nos EUA não está nada boa.

A Disney não disse nada sobre o sucesso de Mulan no Premier Access, mas dados da Sensor Tower estimam que os downloads do Disney+ na Google Play e na App Store cresceram 68% quando o filme chegou ao serviço, comparando um período de três dias com o mesmo intervalo da semana anterior. Os gastos no app também cresceram 193% em relação a uma semana antes.

A Disney, é claro, não é o único estúdio evitando os lançamentos nos cinemas e seguindo o caminho direto ao consumidor para títulos de grande orçamento. A Universal Pictures obteve um tremendo sucesso com o lançamento de Trolls World Tour como um título premium no streaming. O filme arrecadou quase US$ 100 milhões em locações durante as primeiras três semanas — até mais do que o Trolls original conseguiu durante cinco meses em cartaz, de acordo com o Wall Street Journal.

No mês que vem, Mulher Maravilha 1984, da Warner Bros., será lançado nos cinemas e também no HBO Max. A diretora do filme, Patty Jenkins, tem falado abertamente sobre os impactos do fechamento de cinemas. Mesmo assim, em um comunicado, ela disse sobre o lançamento nas duas plataformas: “Em certos momentos, você tem que tomar uma decisão e compartilhar o amor e a alegria que tem para dar.”

No início da pandemia, os cinemas estavam em uma posição muito melhor para fazer exigências sobre os termos de suas janelas de lançamento e exclusividade para os títulos. O sucesso de Trolls World Tour como um título premium no streaming iniciou uma pequena guerra entre a rede de cinemas AMC e a Universal Pictures. A empresa de salas chegou a dizer que iria proibir a exibição de filmes de qualquer estúdio que abandonasse unilateralmente as práticas atuais e se ausentasse das negociações entre distribuidores e expositores para encontrar uma solução em que ninguém saísse prejudicado.

Mas quando as duas partes chegaram a uma trégua meses depois, ficou claro que foram feitas concessões para manter o relacionamento amigável. A Universal concedeu à AMC os direitos de exibição por pelo menos três fins de semana antes de poder oferecer os filmes em seus próprios serviços — uma janela nitidamente mais curta do que o padrão.

Era óbvio que os cinemas precisavam dos estúdios mais do que os estúdios precisavam dos cinemas, principalmente porque a maioria dos estúdios passou a ser o mais verticalmente integrado possível. E agora, as maiores redes de cinemas dos EUA estão à beira da falência.

A experiência com o Premier Access pode não ser a preferida da Disney para colocar seus lançamentos no Disney+, mas mostra que a empresa está analisando cuidadosamente suas opções, para desespero das salas de cinema.