Há três anos, a pesquisadora Susan Howley testou com sucesso um implante que devolve o movimento das pernas a quem tem paralisia. Desta vez, ela repetiu a proeza em mais três pacientes, que sofreram acidentes na espinha dorsal e não se moviam da cintura para baixo. O resultado? Todos recuperaram os movimentos.

Isso significa que há formas mais simples de combater a paralisia: em vez de reconstituir a espinha usando células-tronco, é possível usar um gadget. Ou seja, mais pessoas podem receber o tratamento.

O dispositivo foi implantado na espinha dorsal dos pacientes, todos vítimas de acidente em carro ou moto. Ele imita os sinais elétricos que o cérebro normalmente envia para o restante do corpo, e estimula o movimento dos músculos.

Aos poucos, cada paciente conseguiu mover as pernas, dedos e quadris mesmo recebendo uma corrente elétrica fraca. Eles conseguem até aguentar algum peso e, segundo Howley, poderão voltar a andar no futuro. Os resultados foram publicados no periódico Brain.

No estudo de 2011, o paciente Rob Summers recebeu o mesmo estimulador elétrico em sua espinha dorsal e, após alguns dias, já era capaz de ficar em pé sem ajuda. Em alguns meses, ele conseguia caminhar em uma esteira – para os outros três pacientes, este é o próximo passo.

Reggie Edgerton, coautor do estudo, diz ao Motherboard que o gadget fez o cérebro enviar sinais a partes do corpo onde não chegavam antes:

Os circuitos na medula espinhal são extremamente resistentes. Quando você os deixa ativos, muitos sistemas fisiológicos conectados que estavam adormecidos voltam a funcionar… Não temos que contar, necessariamente, com a reconstituição dos nervos a fim de recuperar a função motora.

Este é mais um avanço no combate à paralisia. Este mês, cientistas curaram paralisia em camundongos de laboratório usando células-tronco e lasers, um bom começo para a aplicação em humanos. E o neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis está dedicado a lançar um exoesqueleto robótico que move as pernas do usuário, já sendo testado por pacientes da AACD. Com medicina e tencologia, torcemos que todos possam andar de novo. [UCLA via Motherboard]

Foto por University of Louisville