Investigadores no Chile lançaram milhares de documentos que deixaram de ser confidenciais datando até a Segunda Guerra Mundial, revelando a extensão com a qual os espiões nazistas se infiltraram no país. Dentre as revelações mais chocantes está a descoberta de uma conspiração nazista para destruir o Canal do Panamá, um ato que teria mudado a “história do mundo inteiro”.

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Como mostrado pelo Deutsche Welle, os documentos foram apresentados na quinta-feira (22) em uma cerimônia de revelação em Santiago no Chile. Os arquivos finalmente foram disponibilizados ao público depois de uma petição que foi apresentada esse ano por deputados chilenos que pediam sua liberação. Os arquivos agora estão em exposição pública nos arquivos nacionais do Chile, e versões digitais serão disponibilizadas online.

“Até ontem (quinta), isso ainda era um segredo”, disse o legislador Gabriel Silber, um dos autores da petição. “Talvez, a partir de hoje, possamos reconhecer uma verdade desconfortável que infelizmente algumas figuras políticas e de negócios no Chile apoiaram os nazistas.”

Realmente, os nazistas tiveram apoio no Chile e em outros países latino-americanos durante a Segunda Guerra, e é esse o motivo de tantos oficiais nazistas terem vindo para a América do Sul depois da guerra. Em 1941, depois de grupos nazistas terem sido encontrados no país, o governo chileno montou uma unidade de polícia especial chamada Departamento 50 para rastrear esses círculos de espiões e frustrar suas atividades.

Conforme os recém-revelados documentos mostram, mais de 40 pessoas dentro dos círculos de espionagem nazista foram presas durante a guerra. O Departamento 50 conseguiu quebrar dois círculos principais de espiões que estavam trabalhando no Chile e outros países da América do Sul, tomando suas armas, confiscando milhares de dólares em dinheiro e descobrindo várias conspirações, incluindo um plano de bombardear minas no norte do Chile. A polícia especial também descobriu que os filhos de algumas famílias alemãs estavam vivendo no interior, onde estavam fazendo treinamento paramilitar.

Os arquivos também mostram que os espiões nazistas e apoiadores no Chile conseguiram interceptar comunicações de rádio feitas pela marinha chilena. Agentes nazistas conseguiram criptografar essas mensagens e mandá-las para o terceiro reich. É bem óbvio a partir desse e de outros exemplos que os nazistas receberam amplo apoio de simpatizantes chilenos em altos cargos.

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 USS Arizona no Canal do Panamá (1921). (Imagem: C. F. Rottman)

Talvez mais chocante de tudo, o Departamento 50 descobriu e impediu uma conspiração para atacar o Canal do Panamá. “Se eles tivessem alcançado seus objetivos, isso poderia ter mudado não apenas a história do Chile, mas a história do mundo inteiro”, disse Hector Espinoza, o diretor-geral de investigações da polícia do Chile, na cerimônia de quinta-feira. Nenhum detalhe da conspiração foi trazido a público, mas os espiões provavelmente estavam pensando em plantar bombas nas áreas mais vulneráveis, deixando o canal inoperável por longos períodos. Destruir uma ou várias comportas, por exemplo, poderia ser potencialmente catastrófico.

Sem dúvida, a destruição do Canal do Panamá, mesmo temporária, poderia ter sido um forte golpe para a Aliança. O canal servia como uma rota primária para transportar tropas americanas e suprimentos da costa leste para a guerra no Oceano Pacífico. Um canal obstruído teria bloqueado muito a capacidade das forças americanas de lutar contra o Japão Imperial, que estava aliado à Alemanha na época. Vale notar que os japoneses também tiveram planos de atacar o Canal do Panamá durante a guerra, usando uma frota de submarinos, mas a guerra terminou antes do ataque poder ter sido lançado.

A liberação desses documentos veio apenas alguns dias depois de um monte de artefatos nazistas terem sido descobertos na casa de um colecionador na Argentina. A guerra pode ter terminado 72 anos atrás, mas ainda estamos descobrindo a extensão da tentativa nazista de fazer da América do Sul a sua casa longe de casa.

[Deutsche Welle]

Imagem do topo: SDASM Archives/Flickr