Sabe aquela dor de cabeça que você sentiu logo após receber a vacina contra a Covid-19? Talvez ela seja psicológica.

De acordo com uma pesquisa publicada na revista científica Jama Network Open, dois terços dos efeitos adversos sentidos após a imunização não têm relação com a vacina em si. 

Para chegar nesses resultados, pesquisadores do Centro Médico Beth Israel Deaconess, nos Estados Unidos, analisaram dados de 12 ensaios clínicos de vacinas da Covid-19. Ao total, havia informações sobre mais de 40 mil voluntários — metade que recebeu o imunizante e metade que recebeu placebo (uma picada sem efeito). 

Após a primeira dose, mais de 35% das pessoas do grupo placebo relataram efeitos colaterais persistentes, como dor de cabeça e fadiga, com 16% experimentando dores no braço ou inchaço no local da injeção. Enquanto isso, 46% das pessoas que realmente receberam o imunizante tiveram reações adversas. 

A segunda dose fez o jogo virar. Após a injeção, 61% das pessoas imunizadas relataram sintomas sistêmicos, contra 31% do grupo placebo.

As evidências sugerem que os efeitos adversos enfrentados podem estar mais relacionados a ansiedade e expectativa do que à própria vacina. Essa resposta psicológica desagradável após um procedimento médico é chamada de efeito “nocebo”.

Os pesquisadores resolveram testar a hipótese após ver diversas pessoas com medo de tomar a vacina por causa dos possíveis efeitos colaterais. Para evitar que a população caia em armadilhas da própria mente, os cientistas sugerem que este efeito nocebo seja apresentado desde o início por profissionais da saúde e cartilhas informativas.

Conhecer a vacina e todos os seus riscos – até mesmo os psicológicos – ajuda a tranquilizar o paciente. Dessa forma, a ansiedade diminui e os efeitos adversos também. Como consequência, a busca pela vacina aumenta. Lembre-se disso quando for tomar sua dose de reforço.