A proprietária do TikTok, a gigante chinesa ByteDance, está traçando planos para cumprir seu destino, ou seja, ingressar no mercado de streaming de música.

De acordo com o Financial Times, a ByteDance entrou em contato com a Warner Music, Sony e Universal para acordos de licenciamento, uma medida que deve causar ainda mais medo nas empresas de tecnologia que vêm sofrendo com tentativas infrutíferas de produtos copiados à medida que ficam atrás da ascensão do TikTok ao terceiro lugar na App Store, com um total de 1,5 bilhão de downloads. Um porta-voz do TikTok não respondeu ao pedido de confirmação do Gizmodo sobre seus movimentos no mercado de música por assinatura.

O Financial Times ainda relata que a ByteDance pretende lançar o serviço de streaming de música já no próximo mês em mercados emergentes, como Brasil, Índia e Indonésia. Posteriormente, a novidade deve atingir outros países como os Estados Unidos, de acordo com fontes citadas pelo jornal.

Além dos áudios, o novo aplicativo também vai incluir uma biblioteca de vídeos curtos de música para os usuários visualizarem e sincronizarem com as canções que estão ouvindo. 

Ainda não se sabe qual será o nome do serviço e nem o preço exato da assinatura, mas a expectativa é que seja mais barato que os US$ 10 mensais cobrados por concorrentes como Spotify e Apple. 

A decisão do TikTok de contornar a Apple e o Spotify é quase previsível; as gravadoras estão de olho no TikTok em busca de artistas que criam faixas simples e personalizadas na plataforma e que já estão entrando na lista do Billboard Hot 100. Mas, como o Pitchfork relatou, no caso de um acordo de 2016 com a Warner Brothers, o precursor do TikTok, Musical.ly, arranjou um jeito de não pagar os artistas por viralidade, mas garantir um pagamento adiantado aos detentores de royalties, o que se traduziu em um pagamento escasso aos artistas. A suposta vantagem é que eles ganham exposição e o dinheiro vem de outros lugares.

A notícia chega em um momento politicamente difícil para a startup que vem crescendo rapidamente.  Os senadores Chuck Schumer (D-NY) e Josh Hawley (R-MO) também estão confrontando a empresa, solicitando uma investigação (agora em andamento) sobre a possibilidade de o TikTok estar contrabandeando dados de norte-americanos e enviando-os para o governo chinês.

Na manhã desta segunda-feira (18), Hawley anunciou que vai apresentar a Lei de Segurança Nacional e Proteção de Dados Pessoais, que, entre outras coisas, proibiria empresas chinesas de “coletar mais dados do que o necessário para fornecer um serviço aqui (nos EUA)”, “usar dados coletados para fins secundários” e “transferir dados do usuário ou chaves de criptografia para esses países ou armazenar esses dados nesses países”. A ByteDance afirma repetidamente que armazena dados de usuários nos EUA, o que não é um grande consolo, considerando que os censores chineses obrigam os moderadores de conteúdo dos EUA a remover postagens que possam desagradar o Partido Comunista.

Em uma audiência no Congresso no início deste mês (na qual a ByteDance não compareceu), o Bolsista Sênior da Heritage Foundation para Tecnologia, Segurança Nacional e Política Científica Klon Kitchen respondeu afirmativamente que o governo chinês poderia hipoteticamente usar fotos do TikTok para obter imagens de norte-americanos das Forças Armadas para “treinar sua IA, suas armas autônomas”. Quando questionado pelo Gizmodo, um porta-voz do TikTok não tinha conhecimento da situação hipotética que foi levantada na audiência do Congresso. 

Durante uma recente entrevista ao New York Times, Alex Zhu, diretor do TikTok, foi questionado sobre o que faria se o presidente chinês Xi Jinping exigisse que a ByteDance entregasse dados de usuários, ao que ele respondeu: “depois de apenas um momento de reflexão…eu recusaria”. Teremos que acreditar na palavra dele.

Nesta segunda-feira (18), um artigo do Wall Street Journal também relatou que a empresa está analisando uma tentativa de mudar a marca, dissociando a ByteDance do governo chinês, mas isso não inclui uma mudança física da sede.

O TikTok é realmente uma vilã ou apenas uma tradicional empresa de tecnologia que compartilhará seus dados indiscriminadamente apenas para fins comerciais, da mesma forma que as empresas americanas já fazem?

Quando questionado pelo Gizmodo, um porta-voz do TikTok nos direcionou aos comunicados de imprensa anteriores reiterando que a empresa armazena seus dados fora da China, que sua equipe de moderação é sediada nos EUA e que “não são influenciados por nenhum governo estrangeiro, incluindo o governo chinês”.

O que quer que eles escolham fazer conosco, somos apenas escravos dos memes.

Com informações adicionais da Reuters