Um estudo realizado pela Universidade de Cambridge, no Reino Unido, confirmou o que epidemiologistas do mundo todo já suspeitavam: a variante ômicron é mesmo menos capaz de causar doenças graves. O estudo ainda não foi revisado por pares e nem publicado em revista científica.

A variante ômicron, identificada pela primeira vez em novembro de 2021, já espalhou por pelo menos 110 países. Em testes de laboratório, ela se mostrou mais transmissível que a variante Delta, sendo necessário 10 vezes mais anticorpos para neutralizar o vírus. 

Essa observação foi feita a partir da análise do sangue de pessoas que haviam recebido duas doses das vacinas AstraZeneca ou Pfizer. Uma terceira dose da Pfizer se mostrou suficiente para barrar a ômicron. 

Por outro lado, a variante também é menos perigosa. Até então, os cientistas já haviam observado que as primeiras centenas de infectados pelo mundo apresentavam sintomas mais leves. Mas ainda existia a dúvida se a resposta para esse comportamento estava na efetividade vacina ou na própria fisiologia do vírus. 

Agora, os pesquisadores notaram uma dificuldade maior da variante ômicron em entrar nas células pulmonares. A variante parece ser menos eficiente que a Delta em ligar sua proteína spike ao receptor ACE2 e permitir a replicação do vírus. Além disso, ela parece atrapalhar a disseminação do Sars-CoV-2 entre células dentro do próprio corpo humano. 

Ravi Gupta, líder do estudo, explicou em comunicado: “Embora mais trabalhos sejam necessários para corroborar essas descobertas, em geral, isso sugere que as mutações da ômicron presentearam o vírus com uma faca de dois gumes: ele melhorou em escapar do sistema imunológico, mas pode ter perdido parte de sua capacidade de causar doenças graves.”

De toda forma, vale a lembrança: a imunização via vacina ainda é a principal arma para combater a doença — e, com uma circulação menor do vírus, evitar o surgimento de novas variantes.