Esta pequena tela é feita com milhões de Escherichia coli – bactéria do seu intestino – vivas e fluorescentes. Biólogos e bioengenheiros da Universidade da Califórnia em San Diego (EUA) sincronizaram as bactérias para brilhar ao mesmo tempo. Mas como ela pode ajudar a me manter vivo?

Por que isto é importante?

Pode parecer bobagem mas, de acordo com o diretor do projeto, Dr. Jeff Hasty, este novo bio-display vai levar à criação de gadgets que um dia podem salvar sua vida:

Este tipo de sensores vivos são intrigantes porque servem para monitorar constantemente uma dada amostra [de agentes prejudiciais à saúde] por longos períodos de tempo, enquanto a maioria de kits de detecção são usados para uma só mensuração. Como as bactérias respondem de diferentes formas a diferentes concentrações [de toxinas] variando a frequência de seu padrão de cintilação, elas podem fornecer uma atualização contínua sobre o perigo de uma toxina ou agente patogênico em dado momento.

No futuro, poderíamos colocar uma tela destas em um local público ou em uma fábrica, e monitorar constantemente a presença de germes e substâncias nocivas.

Do que a tela é feita?

Os maiores biochips feitos pela universidade contêm de 50 a 60 milhões de células E. coli fluorescentes, que resultam em cerca de 13.000 biopixels. Os biochips menores têm cerca de 2,5 milhões de células, ou cerca de 500 pixels.

Como eles fizeram as células brilharem em sincronia?

De acordo com Hasty, “sabe-se que muitas espécies de bactéria se comunicam através de um mecanismo conhecido como detecção de quórum, ou seja, emitindo pequenas moléculas entre elas para ativar e coordenar diversos comportamentos”. No entanto, a detecção de quórum é muito lenta. Ela demora muito para ser ativada e para se propagar de colônia em colônia.

Mas eles descobriram que as colônias podem se sincronizar usando um sinal de gás. Este é o mecanismo usado no chip com microfluido para transformar todas as colônias em uma tela controlável.

Em quanto tempo veremos esta tecnologia em produtos reais?

Hasty diz que poderemos ver o primeiro gadget do gênero dentro de cinco anos, um sensor portátil que poderia detectar “concentrações de várias substâncias tóxicas e organismos que causam doenças em campo”. [UCSD]