Em alguns lugares ao redor do mundo, existem umas bolotas de musgo espalhadas por geleiras. É uma imagem incrível por si só, mas há algo surpreendente: essa colônia de bolas de musgo se move. Todas mais ou menos nas mesmas velocidades e nas mesmas direções.

As bolas de musgo glacial são chamadas também de “ratos-geleira” e foram objeto de um estudo recente publicado na revista Polar Biology. De acordo com uma reportagem da NPR, cada bola se assemelha a um travesseiro de musgo macio, úmido e esponjoso. Os autores do estudo acreditam que elas se desenvolvem a partir de impurezas em superfícies de gelo e representam um fenômeno relativamente raro.

Um dos autores, Tim Bartholomaus, glaciólogo da Universidade de Idaho, disse à NPR que pensou “que diabos é isso!” quando tropeçou pela primeira vez nesses musgos esquisitos em 2006, perto da Glaciar Root, no Alasca.

“Eles não estão grudados a nada e estão apenas parados no gelo”, disse Bartholomaus. “Eles são de um verde brilhante num mundo que só há branco.”

Tradução: É sexta-feira, no fim de semestre. Isso significa que é hora de ponderar um dos grandes e duradouros mistérios da ciência criosférica e da ecologia: o que controla o movimento coordenado das bolas de musgo das geleiras?

Mas as bolas de musgo não ficam em repouso por muito tempo. Bartholomaus disse que durante o seu estudo elas se movimentavam em média cerca de um centímetro por dia.

Sophie Gilbert, ecóloga de vida selvagem da Universidade de Idaho e co-autora do estudo, observou que o movimento é uma necessidade para as bolas de musgo das geleiras, pois toda a superfície dela deve periodicamente ficar exposta ao sol.

“Elas precisam rolar ou então aquele musgo que fica na parte de baixo morreria”, disse Gilbert.

Se você é curioso como eu e também quer ver esses negócios se mexendo, tem um vídeo dos ratos-geleira. O vídeo não está relacionado ao estudo, mas é bem legal de se assistir. Ele também mostra ratos-geleira em algumas posições bastante engraçadas (e inapropriadas). Tire suas próprias conclusões.

Os ratos-geleira não são exatamente uma novidade. Eles foram vistos no Alasca, Islândia, Noruega e América do Sul. Os cientistas os conhecem desde pelo menos os anos 1950. Entretanto, apesar de saberem que essas misteriosas bolas de musgo glacial existem, os cientistas ainda têm muito a aprender sobre elas.

Uma das maiores perguntas é porque as bolas de musgo, que podem viver pelo menos seis anos, se movem desse modo. Alguns cientistas acreditavam que a chave poderia estar no gelo, que é protegido por esse musgo e evita que derreta tão rápido quanto o gelo ao redor. Segundo essa teoria, a bola acabaria nesse gelo mais liso e então rolaria.

Para tentar chegar a alguma conclusão, os pesquisadores decidiram rastrear 30 bolas de musgo glacial no Alasca e etiquetaram cada bola com um pequeno laço de arame com miçangas coloridas. De acordo com a NPR, eles rastrearam a localização de cada bola por 54 dias em 2009 e depois retornaram para checá-las em 2010, 2011 e 2012. Embora eles esperassem que as bolas estivessem em locais aleatórios depois de rolarem nesse gelo liso, não foi este o caso.

Ratos glaciares em Breidamerkurjokull, um glaciar na Islândia, em 2005Ratos-geleira em Breidamerkurjokull, um glaciar na Islândia, em 2005. Foto: Dra. Ruth Mottram/DMI

As bolas de musgo da geleira se movimentavam juntas. Bartholomaus comparou isso com um rebanho de gnus, um cardume de peixes ou um bando de pássaros. Os pesquisadores tentaram explicar esse estranho achado de várias maneiras.

Primeiro, eles pensaram que as bolas tinham descido, mas depois descobriram que não estavam em uma encosta. Depois, eles acharam que o vento os estava soprando em direções consistentes. Mas quando eles mediram a direção dominante do vento, isso também não explicava o movimento.

E por fim, eles consideraram o sol, que derrete o gelo e faz as bolas de musgo da geleira se moverem, mas a direção de entrada da radiação solar não se alinhou com a direção em que as bolas estavam indo. Os pesquisadores ainda não sabem porque as bolas de musgo da geleira se movimentam dessa maneira específica.

“É sempre animador, porém, quando as coisas não estão de acordo com sua hipótese, com a maneira como você pensa que as coisas funcionam”, disse Gilbert.

Bartholomaus disse que espera que um dia, as gerações futuras “cheguem ao fundo destes grandes mistérios”. Quanto a ele, está ansioso para saber porque as bolas de musgo das geleiras se movem em rebanho e quantos anos elas têm.

[NPR]