A temperatura ao norte do Círculo Polar Ártico chegou a 26 graus Celsius.

Um pouco mais ao sul, na Sibéria – aquela região do mundo que nos referimos quando queremos mencionar algo frio – as temperaturas atingiram 30°C. O gelo do mar Ártico, no vizinho Mar de Kara, teve o maior declínio já registrado em um mês de maio. E faixas aleatórias da região estão pegando fogo. As coisas estão extremamente esquisitas.

Vamos começar com o calor acima do Círculo Polar Ártico. Mika Rantanen, pesquisadora do Instituto de Meteorologia da Finlândia, sinalizou um mapa mostrando o calor sufocante na Sibéria ocidental. A região tem sido o epicentro de uma onda de calor explosiva que se espalhou pelo Ártico esta semana. Os modelos preveem temperaturas até 2,2°C acima do normal para esta época do ano. O calor pode cessar um pouco até meados da próxima semana, mas as temperaturas devem continuar elevadas na região.

“A principal razão para o calor é um sistema de alta pressão em forma de ômega que permite céu limpo e movimentos verticais do ar”, disse Rantanen ao Gizmodo por uma mensagem direta no Twitter. “No entanto, o que eu acho que é o aspecto mais notável é que essa área em particular na Rússia tem sido recordista de calor no inverno. Portanto, acredito que a falta de neve pode desempenhar um papel, já que há um calor não consumido no derretimento da neve.”

Tradução: Temperaturas bastante notáveis na Sibéria ocidental de hoje. Por exemplo, 26,4°C a norte no Círculo Ártico (66,6°N) e 30,1°C a 62,5°N.

Isso tudo significa que os incêndios continuam a se espalhar. Pierre Markuse, um especialista em monitoramento via satélite, tem ficado de olho na série de incêndios cada vez mais estranhos acima do Círculo Polar Ártico, um lugar famoso mais pelo gelo do que pelo fogo.

A maioria dos incêndios que ele documentou está na porção oriental da Sibéria, que também lidou com uma parcela de calor durante todo o ano, além de pouco volume de neve. Ver incêndios ao lado de rios trançados e grandes manchas de neve não derretida é um sinal desta era de desestabilização climática.

Incêndio acima do Círculo Ártico. Imagem: Pierre Markuse/Flickr

Há ainda impactos no oceano, porque a mudança climática não se detém apenas na beira da água. O calor tem chegado aos mares que banham a Sibéria, e o Mar de Kara, ao norte da parte oeste da região, tem visto o declínio mais precipitado do gelo marinho.

Após um lento declínio na primeira parte de maio, o ar quente alimentou um declínio acentuado no gelo marinho. Desde o início desta semana, a extensão do gelo registrada esteve no nível mais baixo em um mês de maio. É uma antecipação acentuada, especialmente quando se observa como o gelo se comportava nos anos 1980, quando costumava declinar em julho.

Diversos outros mares que circundam o Ártico também têm perdido gelo. E embora não estejam em níveis recordes como o Mar de Kara, os mares de Bering e Barents estão em níveis recordes para esta época do ano.

Tradução: Impressionante comparar o início da estação de derretimento no Mar de Kara – por exemplo, veja 2020 (linha vermelha) em relação à década de 1980 (linhas roxas)

Estes impactos são os últimos de uma série de eventos climáticos negativos para o Ártico como um todo. No verão passado, a região atingiu quase 34,8°C acima do Círculo Polar Ártico na Suécia. A Groenlândia também derreteu e teve casos de incêndios. Há registros similares para os anos anteriores.

O Ártico está aquecendo duas vezes mais rápido do que o resto do mundo, e o que está acontecendo lá é inédito.