Do alto de seus peixes percas no Mar Báltico, a pequena ex-nação soviética Estônia se tornou uma líder improvável em coisas digitais. O governo do país já abraçou a blockchain, declarou o acesso à internet um direito humano básico e embarcou em um enorme desafio de se tornar uma “sociedade digital” em que tudo, dos documentos de identidade ao voto, é digitalizado e conectado em uma enorme plataforma. Considerando isso, não é surpresa alguma que essa nação se apresse em abraçar outra tecnologia em ascensão: testes de DNA.

• Algoritmos ressuscitam tecnologia de monitoramento estomacal abandonada nos anos 90
• Estudo mostra que muitas crianças não estão recebendo vacinas por um infundado medo de autismo

Neste mês, o governo estoniano iniciou um programa que visa coletar o DNA de 100 mil de seu 1,3 milhão de habitantes. Em troca, irá lhes oferecer conselhos de saúde e estilo de vida baseados na genética da população. A Estônia será a primeira nação a oferecer leituras de DNA financiadas pelo Estado a seus cidadãos.

O objetivo do programa é oferecer aos moradores informações de saúde personalizadas que possam, potencialmente, ajudá-los a prevenir ou minimizar doenças no futuro. Cada participante receberá um relatório genético personalizado, baseado em uma análise de centenas de milhares de variantes que tenham sido ligadas às doenças. A nação então espera ligar esses dados genéticos ao Sistema de Informação de Saúde Nacional Estoniano, que inclui registros de saúde dos cidadãos online administrados pelo Estado. Médicos poderiam, portanto, acessar esses dados facilmente ao tratar pacientes.

A Estônia, assim como o Reino Unido e a Irlanda, já tem um programa de biobanco bem estabelecido, que começou em 2000 e já coletou e estudou o DNA de 50 mil estonianos. Essa iniciativa vai triplicar o tamanho desse biobanco. Um dia, a Estônia espera ter um um biobanco nacional e um Sistema de Informação de Saúde que contenham os dados genéticos de cada um de seus cidadãos. O biobanco é a espinha dorsal do plano do país para renovar seu sistema de saúde de modo a oferecer uma medicina mais personalizada a seus cidadãos. O tamanho pequeno do país e suas habilidades high-tech o tornam o lugar ideal para tentar fazer decolar uma iniciativa dessas.

O novo projeto é um esforço conjunto entre o Ministério dos Assuntos Sociais da Estônia, o Instituto Nacional para o Desenvolvimento da Saúde e o Centro de Genoma Estoniano, da Universidade de Tartu. O governo estoniano colocou € 5 milhões na iniciativa neste ano.

A Estônia não é o único lugar que espera integrar o sequenciamento de DNA a seu sistema de saúde. Dubai anunciou recentemente planos parecidos de realizar testes em todos os seus três milhões de habitantes. E em Nevada (EUA), uma rede de saúde e um instituto de pesquisa estão planejando sequenciar o DNA de 40 mil moradores, como parte de um esforço para entender quais problemas de saúde podem ser específicos das pessoas na região.

No antigo país soviético, a Lei de Pesquisa de Genes Humanos da Estônia rege as atividades do projeto de biobancos e dá aos cidadãos direitos de privacidade e controle total sobre seus dados. Mas, para alguns, o amplo acesso do governo a tais dados, sem dúvida, levantará algumas preocupações.

Imagem do topo: Visit Estonia