Se você perguntar ao Twitter o que eles estão preparando para o futuro, você não terá resposta: a política da empresa é não comentar este tipo de assunto. Mas eles estão trabalhando em um monte de pequenas novidades: na verdade, você pode até ter participado de testes da rede social sem nem ter percebido.

O Twitter, como a maioria das empresas, faz mudanças discretas em seus serviços e transforma grupos de usuários em testadores de novos designs e funções. Muita gente comenta sobre mudanças estranhas na interface ou atualizações não esperadas. Às vezes, estes testes se tornam funções disponíveis para todos, como o botão mute recentemente adicionado.

Porém, o que acontece com mais frequência é que nada disso se materializa para o grande público. É que alguns experimentos são horríveis, como o contador de visualizações em cada tweet; outros, no entanto, eu gostaria de ver distribuídos a todos.

Este tipo de teste interno acontece em várias empresas, mas quando ocorre num palco tão grande quanto o Twitter, ganha muita atenção — e tem um impacto potencialmente muito maior. Aqui estão alguns experimentos recentes que gostaríamos que se tornassem funções da rede social.

Favoritando perfis de usuário

Em dezembro passado, o Twitter começou a testar uma função que permite aos usuários “favoritar” contas inteiras, além de tweets individuais. Com isso, você recebe notificações push cada vez que a pessoa tuitar. É algo bastante útil para acompanhar contas que raramente publicam um tweet; mas pode ficar irritante se a pessoa tuíta muito.

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A ideia em si é interessante e poderia ajudar a melhorar as listas do Twitter: elas deveriam ser uma das ferramentas mais valorizadas, uma maneira de ajudar usuários a criar múltiplas experiências de timelines para acompanhar. Mas o Twitter deixa a função meio escondida, ainda que acessível. As listas são injustamente ignoradas e deveriam ter uma posição mais destacada.

Criar uma maneira de favoritar usuários seria um jeito esperto de acostumar as pessoas a organizar a experiência no Twitter em feeds menores, como criar uma timeline de usuários favoritos. Façam isso acontecer!

Conquistas

Hoje, usuários da rede que querem saber o número de RTs recebidos a cada semana precisam recorrer a apps de terceiros. Isto é um problemão para gestores de marca, narcisistas e gestores de marca narcisistas. Para resolver isso, o Twitter criou o que pode ser um solução simples num experimento em janeiro: a conta @AchievementBird dá aos usuários atualizações sobre sua popularidade na rede, enviando DMs com estatísticas sobre retweets e novos seguidores.

A conta parece estar inativa agora e não irá aceitar seu pedido para segui-la. Owen Williams, do The Next Web, tuitou um exemplo de como seria isso:

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Crédito da imagem: Owen Williams

É uma pena que o Twitter não tenha levado isso adiante; isso permite que as pessoas interessadas saibam mais dados sobre o seu engajamento sem precisar de notificações push. As conquistas nunca tiveram a mesma atenção que a conta experimental de notícias urgentes do Twitter, o EventParrot, mas era a melhor conta experimenta baseada em DMs, já que o EventParrot nunca entendeu direito quais notícias eram realmente relevantes.

Sugestões de links

Em maio, Peter Kafka, do Recode, descobriu um experimento do Twitter que poderia inaugurar um novo mundo de possibilidades para hashtags. Ele jogava com a ideia de ter certas hashtags ligadas a um vídeo, usando o filme Um Milhão de Maneiras de Pegar na Pistola, com Seth MacFarlane, como exemplo. Quando alguns usuários começavam a digitar #AMillionWaysToDieInTheWest como uma hashtag, o Twitter oferecia a opção de anexar um clipe do filme. Este experimento continuou durante a Copa do Mundo com a Adidas e a Visa.

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Crédito da imagem: Peter Kafka, Recode

Este uso, especificamente, do experimento é obviamente terrível. Um Milhão de Maneiras é uma porcaria. E sério, quem ia querer colocar uma propaganda num tweet? Se o Twitter só permitir que marcas selecionem hashtags para linkar vídeos, isto pode ser enfurecedor.

Mas se o Twitter liberar a função para usuários comuns, além de marcas, transformar hashtags em um agente de links poderia melhorar a experiência geral dos usuários, especialmente para pessoas que postam muitos links. E por que parar nas hashtags? O Twitter deveria dar aos usuários a opção de embedar ou linkar URLs e itens de mídia sem que eles contassem no limite de caracteres.

Não há motivos para incluir links dentro da contagem de 140 caracteres: fotos e vídeos já são exceções na contagem; links também deveriam ser. Este experimento prova que o Twitter tem a capacidade de permitir que usuários transformem partes dos tweets em hiperlinks, e isso deveria ser adotado.

Se o Twitter expandir essa função apenas para permitir que as marcas coloquem propagandas através de hashtags, será um triste exemplo privilegiar negócios em detrimento de usuários comuns.

Uma nova forma de retuitar com comentário

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Screenshot via Mashable

O último experimento revelado pelo Twitter seria uma adição de peso às funções atuais: apareceu uma opção “Retweetar com comentário” como teste para alguns usuários no final de junho, permitindo que eles tivessem mais espaço para comentar nos RTs. Ela coloca o link do tweet que você está comentando, oferecendo mais espaço para adicionar seus próprios pensamentos. Mas em vez de exibir o link, o app oficial exibe o tweet que você quis comentar, como na imagem acima.

O retweet com comentário é meu experimento recente favorito, porque, em certa medida, corrige o que não funciona direito nos retweets: dar RT num tweet comprido deixa o usuário sem espaço para acrescentar sua própria opinião. Esta função faria as pessoas darem RT mais frequentemente, já que seria mais fácil jogar uma piadinha ou um comentário. Seria uma ferramenta de engajamento bem esperta.


Muitos dos experimentos podem ser verdadeiros fracassos, e as mudanças constantes dão a impressão de que a empresa está um pouco perdida e sem foco. Mas a beleza dos testes frequentes e suas avaliações é que alguns podem eventualmente se tornar funções excelentes.

O Twitter passou de uma startup de San Francisco a uma gigante internacional em alguns poucos anos, e a gente quase sempre esquece que um serviço como esse é um trabalho em progresso constante. Estes experimentos provam que a plataforma ainda está apta e em busca de grandes mudanças — mesmo que elas comecem como segredos.