O Facebook está tentando ser mais transparente, mas a iniciativa só mostra o quão enrolados eles estão com toda essa história de compartilhamento de dados. A companhia revelou ao Congresso dos EUA que dividiu informações sobre seus usuários com 52 empresas de software e hardware, incluindo algumas sediadas na China.

• Facebook chegou a compartilhar dados pessoais de usuários com fabricantes chinesas
• App de quiz expôs dados de 120 milhões de usuários no Facebook até o mês passado

De acordo com o Wall Street Journal, essa informação faz parte de um documento de 747 páginas que a rede social entregou nesta sexta-feira (30), aos legisladores da House Committee on Energy and Commerce (Comitê de Energia e Comércio dos EUA).

O documento tem como objetivo responder algumas das questões que Mark Zuckerberg deixou de tratar quando testemunhou diante dos parlamentares há alguns meses.

Entre as principais empresas com as quais o Facebook compartilhou informações adicionais estão Apple, Amazon, Microsoft, Qualcomm e Samsung, além da gigante chinesa de comércio eletrônico Alibaba. A BlackBerry também estava na lista, bem como a Nissan, UPS, entre outras.

Também nessa lista de 52 empresas, e de particular interesse para os parlamentares, estão companhias chinesas como: Huawei, Lenovo, Oppo e TCL.

As agências de inteligência dos EUA já levantaram suspeitas sobre essas empresas e se preocupam com alguns de seus laços com o governo chinês, particularmente a Huawei. O diretor do FBI, Chris Wray, afirmou anteriormente que os produtos dessa fabricante possuem “a capacidade de modificar ou roubar informações maliciosamente”.

Nem todas as revelações no documento são novas. O New York Times noticiou anteriormente que o Facebook compartilha dados com pelo menos 60 fabricantes de hardware, principalmente com empresas que produzem smartphones. A Huawei já estava nessa lista.

Segundo o Facebook, esses dados foram compartilhados com as empresas mesmo após alguns meses depois que o acesso dos desenvolvedores às informações pertencentes aos amigos foi cortado (foi assim que todo o escândalo da Cambridge Analytica estourou). A companhia compartilhou nomes de usuários, sexo, data de nascimento, cidade atual, cidade natal, fotos e curtidas em páginas.

De acordo com o Wall Street Journal, a empresa explicou que os dados foram fornecidos em uma tentativa de melhorar sua capacidade de operar em diferentes plataformas e dispositivos. “As pessoas acessavam a internet usando uma ampla variedade de celulares, incluindo smartphones básicos ou aparelhos antigos”, escreveu o Facebook. “Nesse ambiente, a demanda por serviços de internet como Facebook, Twitter e YouTube superou a capacidade de nosso setor de criar versões de nossos serviços que funcionavam em todos os celulares e sistemas operacionais.”

Pelo que parece, os parlamentares não estão completamente convencidos com a explicação do Facebook. De acordo com Hill, o principal democrata da Casa Energia e Comércio, o congressista Frank Pallone Jr., disse que, “após a primeira revisão do documento, estou preocupado que as respostas do Facebook levantem mais questionamentos do que respostas”.

[Wall Street Journal, The Hill]

Imagem do topo: Getty