Foi necessário um escândalo cataclísmico sobre privacidade para que o Facebook desistisse de colocar em prática o seu plano de compartilhar dados sensíveis sobre a vida pessoal dos seus usuários com médicos e hospitais.

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Como noticiado pela CNBC nessa quinta-feira (5), o secreto braço de pesquisa do Facebook, o Building 8, estava interessado em iniciar um projeto que compartilharia – ainda que de forma anônima – os dados dos usuários da rede com alguns grandes hospitais dos EUA. Aparentemente, estes dados combinados permitiriam aos médicos ter uma visão mais ampla sobre a vida dos pacientes, permitindo que eles agissem apropriadamente.

A CNBC explica como isso poderia ter funcionado: um usuário com poucos amigos e familiares no Facebook que estivesse se recuperando de uma cirurgia poderia receber a visita de enfermeiras, por exemplo.

Supostamente, o Facebook chegou até a enviar seus cientistas para discutir sobre o projeto com grandes organizações, como o Colégio Americano de Cardiologia e a Escola de Medicina da Universidade Stanford. Mas a empreitada – por enquanto – será descontinuada.

“O trabalho não progrediu além da fase de planejamento, e não recebemos, compartilhamos, ou analisamos os dados de ninguém”, disse o Facebook à CNBC.

De acordo com a CNBC, qualquer marcador de identificação, como o nome do usuário, seria removido dos dados do Facebook e dos hospitais antes de chegar a qualquer lugar. Um método criptográfico comum conhecido como ‘hashing’ seria usado para corresponder conjuntos de dados.

Presumidamente não tendo aprendido nada com sua própria história, os líderes do projeto supostamente nem chegaram a discutir se os usuários do Facebook deveriam ser informados antecipadamente sobre o experimento. Contraste isso com o mais transparente (mas ainda assustador) projeto de saúde da Apple, que inclui um app que pergunta aos usuários se eles gostariam de voluntariamente vincular seus dados médicos com o iPhone, por exemplo.

Ademais, como todo mundo ainda está bem pistola sobre o vazamento de dados da Cambridge Analytica (que minerou informações de 87 milhões de usuários da rede), o Facebook aparentemente pensou que seria melhor deixar este tipo de projeto de lado pelo menos por enquanto.

“No mês passado nós decidimos que deveríamos pausar estas discussões para que possamos focar em outros trabalhos importantes, incluindo melhorar como protegemos os dados das pessoas e sermos mais claros com eles sobre como estes dados são usados em nossos produtos e serviços”, disse a companhia em um comunicado.

Enquanto isso, em outras notícias, o Facebook acabou de admitir que muitos de seus 2,2 bilhões de usuários podem ter tido seus dados coletados por “atores maliciosos” até então, quando apresentou suas novas restrições de compartilhamento de dados ontem.

[CNBC]

Imagem de topo: David Ramos/Getty Images