Já faz muito tempo que ficou bem claro que o Facebook estava sendo manipulado como uma ferramenta para minar a democracia e contribuir para genocídio, mas, ainda assim, a rede social segue tendo dificuldades em manter sua plataforma livre do tipo de lixo engendrado especialmente para distorcer efetivamente a realidade — coisa que aconteceu ainda neste mês. E sistemas anteriores aplicados para combater a onipresença da desinformação em sua plataforma não pareceram funcionar.

A empresa anunciou nesta quarta-feira (23) uma nova abordagem em duas frentes para enfrentar esse problema no site: uma nova política para reduzir o abuso recorrente e outra que visa a estabelecer uma maior transparência. Em relação à segunda, a companhia disse que irá compartilhar com administradores de páginas os tipos específicos de conteúdo que violam os Padrões da Comunidade. Basicamente, se você gere ou ajuda a gerir uma página, o Facebook começará a sinalizar a maioria do conteúdo que remove ou marca em uma nova aba de “Qualidade da Página”:

Para começar, estamos incluindo conteúdo removido por políticas contra discurso de ódio, violência explícita, assédio e bullying, e bens regulamentados, nudez ou atividade sexual, e apoio ou elogio a pessoas e eventos que não são permitidos no Facebook. Embora essa aba ofereça mais informações sobre conteúdos que foram removidos ou rebaixados, não é uma contabilização abrangente de todas as violações de políticas. Por exemplo, não iremos exibir remoções de conteúdos neste momento para coisas como spam, caça-cliques ou violações de IP.

Além disso, a aba “Qualidade da Página” inclui conteúdos recentemente avaliados como “falso”, “misto” ou “título falso”, checados por verificadores independentes de fatos, segundo o Facebook.

A empresa também disse que irá trabalhar para impedir que usuários que mantêm diversas páginas simplesmente redirecionem uma página já existente para servir ao mesmo propósito que aquela que o Facebook excluiu. Portanto, digamos que um usuário que administra três páginas e tem uma deletada por violar as diretrizes contra discurso de ódio do site. O Facebook diz que agora pode excluir páginas ou grupos relacionados mesmo se eles não tiverem expressamente violado os padrões. A rede social disse que irá usar um “amplo conjunto de informações” para determinar se toma ou não essa posição, e entramos em contato com a companhia para obter mais detalhes.

Nova aba de “Qualidade da Página”, do Facebook. Imagem: Facebook

No mês passado, o New York Times publicou uma reportagem detalhada sobre os tais “manuais” do Facebook com o objetivo de ajudar a guiar seus 15 mil revisores de conteúdo globais sobre o que eles deveriam ou não permitir na plataforma.

Alguns desses documentos, que foram noticiados pela primeira vez pelo Motherboard, eram frequentemente confusos e contraditórios, criando problemas para os responsáveis por livrar o Facebook de conteúdo que viole seus padrões. Entre os diversos problemas apresentados por esse sistema, o mais flagrante pareceu ser que o Facebook simplesmente não conseguia manter o ritmo de moderação necessário para lidar com o enorme volume de conteúdo em sua plataforma.

Em teoria, essas novas diretrizes deveriam ajudar a combater pelo menos parte da desinformação, das notícias falsas ou de outros conteúdos problemáticos que surgem na plataforma. A atualização nas políticas também vem em um momento em que o serviço de mensagens criptografadas WhatsApp, de propriedade do Facebook, começa a combater com mais força o seu próprio problema de desinformação; ambos os serviços foram pressionados pela opinião pública para administrar melhor o compartilhamento de conteúdo em suas plataformas, depois de campanhas de desinformação virais serem usadas para incitar violência e prejudicar eleições.

As novas políticas do Facebook são um passo na direção certa? Claro. Elas vão livrar completamente o site de seus males? Não, e até mesmo Mark Zuckerberg afirmou que é impossível expurgar completamente os maus atores do site. Porém, considerando que a companhia estava precisando remover campanhas coordenadas de desinformação russas ainda na semana passada, esse é um passo bastante necessário para colocar seu produto sob controle.

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