O Facebook, uma empresa de tecnologia que as Nações Unidas disseram ter sido cúmplice do genocídio, tem um novo recurso que está sendo lançado nesta semana. E há uma grande chance de que ele seja abusado, não importa quais sejam as garantias que a empresa ofereça.

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O novo recurso do Facebook é chamado de “Community Actions” (“Ações Comunitárias”) e funciona como uma petição, segundo o TechCrunch. As Ações Comunitárias têm passado por testes limitados e serão apresentadas a um público mais amplo nesta segunda-feira (21), o que significa que provavelmente podemos esperar uma bagunça abusiva completa até quarta-feira (23). Quinta-feira (24), o mais tardar.

De acordo com o TechCrunch:

Os usuários podem adicionar um título, uma descrição e uma imagem à sua Ação Comunitária e marcar agências e autoridades governamentais relevantes que serão notificadas. O objetivo é tornar a Ação Comunitária viral e fazer com que as pessoas apertem o botão “Apoiar”. As Ações Comunitárias têm seu próprio feed de discussão, em que as pessoas podem deixar comentários, criar campanhas de arrecadação de fundos e organizar eventos do Facebook ou campanhas de Ligue Para o Seu Representante. O Facebook exibe o número de apoiadores por trás de uma Ação Comunitária, mas você só poderá ver os nomes daqueles de quem você é amigo ou que são Páginas ou figuras públicas.

O grupo de advocacia Colorado Rising, que entrou no recurso antecipadamente, tem defendido uma moratória sobre uma nova perfuração de petróleo no estado do Colorado, nos Estados Unidos. A petição está marcada em tags com o governador e o vice-governador do Colorado. Mas o que acontece quando os opositores do grupo tentam acabar com a petição, sinalizando-a como abusiva?

Ou o que acontece quando algum partidário de Trump, por exemplo, iniciar uma petição para que todas as pessoas de descendência mexicana sejam deportadas dos Estados Unidos? Você sabe que isso está a caminho. Todos sabemos que está a caminho.

As diretrizes da comunidade do Facebook estão abertas a interpretações, o que significa que provavelmente veremos uma fiscalização muito inconsistente à medida que esse novo recurso chegar ao mundo. Tudo o que sabemos com certeza é que muitas pessoas testarão os limites do Facebook e, quando algumas delas forem desativadas, reclamarão de censura.

É claro que haverá, sem dúvidas, um punhado de boas petições iniciadas. Mas se aprendemos alguma coisa dos últimos anos é que o Facebook não se importa com nada além de ganhar dinheiro. E a rede social ganha mais dinheiro quando mantém você engajado e irritado. Espalhar alegria não paga as contas.

Mas quem sabe? Já me enganei antes. Ainda assim, a última coisa de que precisamos são de novas formas de se relacionar com o mundo. Como vimos com a paralisação do governo norte-americano, as pessoas podem reclamar o quanto quiserem, mas nenhuma dessas queixas importa se um homem como o presidente Donald Trump está no poder.

O Gizmodo entrou em contato com o Facebook e atualizará esta publicação caso tenhamos resposta. A empresa não gosta muito de responder aos meios de comunicação que criticam os danos que o Facebook causou ao mundo. O que pode explicar por que eles contaram ao TechCrunch sobre seu novo recurso antes de qualquer outro veículo.

[TechCrunch]