O Facebook divulgou seus resultados financeiros e, mesmo durante a pandemia, teve uma alta em suas receitas. No segundo trimestre de 2020, entre abril e junho, a companhia relatou ter recebido um total de US$ 18,7 bilhões, um recorde para a empresa. O lucro da companhia chegou a US$ 5,18 bilhões.

O resultado das receitas representa uma alta em relação ao mesmo período do ano anterior, em que a empresa registrou a entrada de US$ 16,9 bilhões — uma alta de 11%, portanto. Já o lucro quase dobrou no comparativo ano a ano.

O resultado superou as expectativas dos analistas do mercado financeiro, que, segundo o Wall Street Journal, eram de uma receita de US$ 17,34 bilhões. Por outro lado, o crescimento de 11% representa uma desaceleração no ritmo da empresa, que vinha crescendo em torno de 25% nos trimestres anteriores.

O Facebook atribuiu o crescimento a um maior engajamento dos usuários durante a pandemia. O número de usuários ativos em por mês cresceu de 2,6 bilhões para 2,7 bilhões, e mais de 3 bilhões de pessoas usam pelo menos um produto da empresa mensalmente.

A empresa espera que estes números se mantenham estáveis ou caiam um pouco à medida que as restrições impostas pela pandemia de COVID-19 são flexibilizadas e as pessoas começam a sair mais de casa.

Seja como for, a companhia aproveitou esse período para lançar vários produtos focados em videoconferência, como o Messenger Rooms, e vendas online, como o Shops. Segundo o Journal, o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, disse esperar que a mudança de comportamento a longo prazo causada pela pandemia beneficie o Facebook, já que as pessoas passarão mais tempo online.

Por fim, a companhia também exibiu um forte crescimento em seus negócios além da propaganda, que incluem a Oculus e os dispositivos de videochamadas Portal. A receita vinda deles cresceu 40%. Mesmo assim, 98% do dinheiro da empresa ainda vem da publicidade.

Boicote

Os números de julho ainda não foram divulgados oficialmente pela empresa, mas, em uma chamada com investidores, os executivos adiantaram que o mês teve um crescimento de 10% nas receitas em relação ao mesmo período do ano anterior e que a companhia espera que isso se mantenha até setembro.

Segundo o WSJ, o Facebook atribui essa desaceleração em seu crescimento a incertezas em relação à economia, a limitações na segmentação de anúncios impostas pela lei de privacidade da Califórnia e ao boicote que a companhia vem sofrendo de anunciantes.

Várias grandes empresas suspenderam suas campanhas na rede social e exigem políticas mais rigorosas contra o discurso de ódio nas redes sociais. Algumas companhias interromperam seus anúncios durante o mês de julho, enquanto outras pararam de veicular propagandas nas redes do Facebook por um período indeterminado.

A expectativa era de que essa campanha não tivesse um impacto financeiro considerável, já que grandes marcas correspondem a uma pequena porção das receitas de publicidade que o Facebook recebe — a maior parte vem mesmo de pequenos e médios negócios, muitos dos quais migraram para modelos de vendas online e entrega durante a pandemia de COVID-19. De certa forma, isso se confirma, já que as receitas continuam crescendo apesar do movimento.