Microplásticos são partículas minúsculas, com menos de 5 milímetros, que resultam da degradação de garrafas PET, sacolas, canudos e outros objetos de plástico. Eles representam uma ameaça para o ecossistema marinho e podem chegar até mesmo aos nossos pratos. 

Cientistas temem ainda que os microplásticos – ou pior, partículas ainda menores conhecidas como nanoplásticos – estejam chegando ao organismo humano por meio da água potável. Os sistemas de tratamento de água atuais seriam suficientes para remover os poluentes? 

Foi isso que pesquisadores suíços resolveram investigar. Em um estudo publicado na revista científica Journal of Hazardous Materials, os cientistas mostraram que os sistemas de filtragem atuais são suficientes para conter os nanoplásticos, que possuem entre 1 e 1000 nanômetros de tamanho. 

Os cientistas utilizaram um marcador de paládio (Pd) para seguir os nanoplásticos durante o processo de filtração. O processo foi similar ao utilizado na medicina, em que as células cancerígenas são marcadas especificamente para monitorar sua distribuição pelo corpo humano. 

Então, eles investigaram como os nanoplásticos se comportavam em um processo convencional de tratamento da água, que incluiu a ozonização, filtros de areia e de carvão ativado. 

As partículas foram barradas, principalmente, na última fase do tratamento da água, que envolve o filtro de areia lento. Para ter uma ideia, a eficácia de retenção de poluentes desta etapa foi de 99,9%. Confira o esquema: 

Filtro de areia
Imagem: Journal of Hazardous Materials/Reprodução

A conclusão dos cientistas é que o filtro de areia de fluxo lento é capaz de remover os nanoplásticos da água bruta com muita eficiência — a ponto de quase eliminar o contato diário de humanos com microplásticos.

O problema, porém, é o acesso a serviços básicos. É o que indicam dados da ONU, coletados em 128 países, que, juntos, abrangem 80% da população mundial. Apenas 56% das residências desse grupo tinham condições adequadas de tratamento de água.

Alcançar uma cobertura de tratamento de água tão ampla, no entanto, não significa ter passe livre para que a humanidade siga poluindo os oceanos. Os animais que vivem no ecossistema marinho continuam expostos ao riscos, além de levarem os nanoplásticos adiante através da cadeia alimentar.