Uma polêmica proposta está mexendo com o mercado alimentício na França. Sugerida pelo parlamentar Jean Baptiste Moreau, uma nova regra proibiria que produtores de alimento usassem termos como “bife”, “salsicha” e “bacon” em produtos vegetarianos e veganos.

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Como em várias partes do mundo, a França conta com cada vez mais alternativas vegetarianas e veganas para produtos feitos a partir de carne, e a designação “carne moída vegetal”, por exemplo, facilita que os adeptos desses estilos de vida encontrem equivalentes para a comida tradicional. Mas o parlamentar Jean Baptiste Moreau, fazendeiro e membro do partido En Marche, do presidente francês Emmanuel Macron, defende que a terminologia confunde os consumidores.

“É importante combater alegações falsas. Nossos produtos devem ser designados corretamente: os termos #queijo ou #bife serão reservados aos produtos de origem animal”, escreveu Moreau, em sua conta no Twitter.

Se a proposta for votada definitivamente pelo Estado, o descumprimento da ordem resultaria em multa que pode chegar a € 300 mil (cerca de R$ 1,26 milhão na cotação atual).

A mudança abarcaria também produtos feito para substituir o leite e seus derivados, como queijo, manteiga e iogurte.

A proposta causou reação em associações de defesa dos direitos dos animais, que veem na ação uma ofensiva operada por lobistas da indústria da carne contra um mercado vegano em crescimento.

“Independentemente de seu nome, os produtos veganos são um mercado em ascensão, e Moreau faria melhor ajudando os criadores a converterem para uma produção humana de comida, permitindo que os termos ‘bife’ e ‘salsicha’ evoluam ao longo do tempo”, pronunciou-se o PETA France, em comunicado divulgado pela revista Le Nouvel Observateur.

Já a ONG Humane Society International, da Inglaterra, considera uma pena que a França adote uma “posição de paranoia defensiva” em vez de abraçar a culinária vegetariana e vegana. “Mas, por fim, isso não vai deter o crescimento do consumo com compaixão, porque os benefícios nutritivos, deliciosos, ecológicos e éticos vão prevalecer, independentemente de como você chama os produtos”, disse a porta-voz da organização ao Independent.

Imagem do topo: hambúrguer da empresa Impossible Foods feito com proteína vegetal. Crédito: Divulgação