A Sibéria é um lugar reconhecidamente frio. Mas, desde maio, tem estado extremamente quente e pegando fogo em várias regiões. Esses incêndios florestais são tão extremos que a fumaça foi para o Polo Norte e deve chegar ao Canadá no final desta semana.

Os incêndios florestais deste ano já estão ultrapassando a temporada recorde do ano passado em termos de dióxido de carbono sendo bombeado para a atmosfera. As emissões são o dobro da média de 2003 a 2020, e as chamas ainda estão se espalhando em uma área conhecida como República Sakha.

Copernicus, o Programa de Observação da Terra da União Europeia, previu que a fumaça provavelmente alcançaria o Polo Norte na segunda-feira, viajando mais de 3.219 km. Imagens de satélite capturadas pela NASA confirmaram essa previsão, com uma densa fumaça girando entre as nuvens no topo do mundo. Isso marca a primeira vez que os impactos dos incêndios florestais da Sibéria chegam à região.

No final desta semana, a fumaça deve se afastar ainda mais, alcançando o norte do Canadá, onde nublará os céus e poluirá o ar. Partes do país já estão lutando devido aos incêndios florestais que queimam em todo o país, da Colúmbia Britânica a Ontário — o que preocupa ainda mais os especialistas.

Isso é um problema por vários motivos. Em áreas habitadas do Ártico, especialmente aquelas perto dos próprios incêndios florestais, a população está enfrentando problemas terríveis de qualidade do ar. Qualquer fuligem que cair no mar e no gelo terrestre também pode acelerar o derretimento em uma região já sitiada pelo calor. Isso porque a fuligem escura pode fazer com que o local absorva mais calor do que a neve e o gelo mais claros. Esses impactos são devastadores para as comunidades indígenas que dependem do gelo marinho para caçar e viajar.

Os incêndios são um sintoma da crise climática. Autoridades disseram que a área em chamas na República Sakha está passando por algumas de suas condições mais secas em 150 anos, transformando as florestas em uma caixa de pólvora. Um estudo divulgado após os incêndios recordes do ano passado mostra que o calor extremo que ajudou a impulsioná-los foi 600 vezes pior por causa da crise climática. Os cientistas ainda não analisaram o papel exato do aquecimento planetário por combustível fóssil na temporada deste ano, mas é cada vez mais seguro presumir que, quando há uma onda de calor acontecendo, a mudança climática está desempenhando um papel significativo.

Assine a newsletter do Gizmodo

Em uma reviravolta sombria, esses incêndios estão piorando a crise. O dióxido de carbono que eles estão liberando antes era armazenado em árvores e no solo. Uma vez na atmosfera, vai aquecer ainda mais as coisas e aumentar o risco de incêndios maiores. É por isso que nunca foi tão urgente reduzir as emissões de carbono eliminando os combustíveis fósseis e proteger as florestas desses tipos de infernos.