Países como Chile, Argentina e Uruguai viram a fumaça proveniente dos incêndios na Austrália chegar e, na última terça-feira (7), foi a vez da região sul do Brasil recebê-la – mais especificamente, o estado do Rio Grande do Sul. A cidade Santana do Livramento, que faz fronteira com o Uruguai, foi uma das que amanheceu com o céu acinzentado, enquanto que na capital do estado, Porto Alegre, o tempo nublado fez com que a fumaça passasse despercebida.

Conforme mostrado pelas imagens de satélite divulgadas no início desta semana, a nuvem de fumaça viajou mais de 12 mil quilômetros até chegar à América do Sul. Após o longo percurso, o fenômeno chegou aqui com uma intensidade muito menor. Em depoimento à Folha de S.Paulo, a meteorologista Estael Sial, da Metsul, afirmou que não há riscos ambientais e para a saúde devido à altitude da fumaça sobre o Rio Grande do Sul.



A forma mais perceptível de identificar a presença da fumaça na região é pelo pôr do sol, que pode adquirir um tom mais avermelhado.

Em relação ao destino posterior dessa fumaça, ainda não há uma certeza sobre quanto tempo ela permanecerá no sul do Brasil, pois tudo depende do clima na região. No entanto, a expectativa é que ela não consiga avançar para outros estados devido às chuvas em Santa Catarina e Paraná, que poderão provocar uma barreira e ajudar a dissipar o material. O que pode acontecer é que, com o tempo seco previsto para os próximos dias, a fumaça ainda chegue ao sul de Santa Catarina.

Desde setembro, os incêndios na Austrália já mataram 24 pessoas e destruíram cerca de 80 mil quilômetros quadrados de terra, o que corresponde a uma área do tamanho da Irlanda. O fenômeno é uma manifestação clara de que o que estamos vivendo agora é, de fato, uma crise climática, não apenas uma mudança.

[AFP, Folha de S.Paulo, UOL]