O funcionário do governo norte-americano que causou um pânico depois de enviar um alerta de que mísseis estavam prestes a atingir o Havaí foi demitido. Três outros funcionários, incluindo o chefe da Agência de Gerenciamento de Emergência do Havaí, também entregaram seus cargos, mas o caso do Míssil que Não Existia ainda deixa muita gente com várias perguntas.

Em 13 de janeiro, os havaianos passaram 38 agonizantes minutos achando que havia um míssil a caminho deles, depois de receberem uma mensagem em seus celulares dizendo: “AMEAÇA DE MÍSSIL BALÍSTICO EM DIREÇÃO AO HAVAÍ. PROCURAR ABRIGO IMEDIATO. ISTO NÃO É UMA SIMULAÇÃO”.

Pouco tempo depois, a história oficial do governo era que um funcionário do estado havia, por engano, apertado o botão errado. Mas essa explicação caiu em pedaços nesta semana, depois que a FCC (Comissão Federal de Comunicações dos EUA) e o Havaí ambos emitiram relatórios explicando que o empregado na verdade acreditava que havia um míssil a caminho. E essa confusão agora custou o emprego de algumas pessoas.

O funcionário do governo, que não teve seu nome divulgado, inicialmente se recusou a cooperar com a investigação sobre o que aconteceu e agora foi demitido, de acordo com fontes oficiais. Vern Miyagi deixou o cargo de administrador da Agência de Gerenciamento de Emergência do Havaí na terça-feira (30), enquanto outro funcionário da agência também pediu demissão. Um terceiro empregado da agência foi suspenso sem pagamento, embora seu papel nessa bagunça não tenha sido explicado.

“Ao povo do Havaí, os eventos recentes jogaram uma luz sobre nossa preparação para emergências, fazendo com que muitos de vocês considerassem se estavam prontos para as emergências que, certamente, vamos enfrentar”, disse Miyagi em um comunicado liberado por meio da agência.

“Não deixe essa sensação passar sem agir. A última coisa que digo: saiba aonde ir, o que fazer e quando fazer. Tenha um plano. Esteja seguro e saiba que, independentemente do que aconteça, pessoas boas e corajosas estarão por aí para ajudar.”

O empregado do governo que enviou o alerta errado está sendo retratado como particularmente inapto e indisposto a ajudar a remediar a situação. A Agência de Gerenciamento de Emergência do Havaí explica em seu relatório oficial que o funcionário, chamado no documento simplesmente de “Empregado 1”, simplesmente ficou lá sentado enquanto os outros tentavam corrigir o erro.

Trecho tirado do relatório:

O Empregado 5 pediu que o Empregado 1 enviasse a mensagem de cancelamento. O Empregado 5 afirmou que o Empregado 1 simplesmente ficou lá sentado e não respondeu. O Empregado 3 voltou ao Ponto de Aviso do Estado voltando o relógio e viu o Empregado 4 e o Empregado 10 repetidamente no Sistema de Aviso do Havaí, avisando aos condados que era apenas uma simulação. O Empregado 2 estava no telefone com o Empregado 6, passando as informações sobre a situação. O Empregado 5 estava alertando a equipe de comando. O Empregado 1 estava sentado e parecia confuso. O Empregado 3 assumiu controle do mouse do Empregado 1 e enviou a mensagem de cancelamento. Em nenhum momento o Empregado 1 ajudou no processo de corrigir o Alerta Falso.

Se a situação toda pareceu estranha, saiba que você não está sozinho. Por que o Empregado 1 simplesmente ficou sentado ali? Segundo o estado, o funcionário teve problemas de desempenho no passado, confundindo duas simulações anteriores com emergências da vida real. Por que, então, esse empregado estava em uma posição de enviar um alarme falso de míssil para dois milhões de pessoas?

O major general Joe Logan, general adjunto do estado, classificou isso como uma “pergunta válida” em uma coletiva de imprensa nesta terça (30), mas enfatizou que talvez o supervisor do Empregado 1 tenha pensado que eles estavam oferecendo o “aconselhamento e mentoria apropriados (…) para que pudessem realizar seu trabalho”.

Obviamente, esse não foi o caso. De qualquer forma, várias pessoas estão agora sem emprego, e sabemos o que acontecerá se um ataque de míssil de verdade (da Coreia do Norte ou outro lugar) fosse anunciado: as pessoas vão entrar em pânico. E, de alguma maneira, ainda não parece que estamos recebendo a história completa quando se trata do que aconteceu de verdade com o funcionário que apertou o botão errado.

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