O Chrome OS foi lançado há cinco anos e teve um sucesso moderado em laptops baratos (fora do Brasil). Agora, segundo múltiplas fontes, o Google planeja simplificar as coisas e fundi-lo com o Android.

De acordo com o Wall Street Journal, o Google terá uma base única para seus sistemas operacionais em hardwares diferentes, combinando Chrome OS e Android:

Os engenheiros do Google estão trabalhando há cerca de dois anos para combinar os sistemas operacionais e fizeram avanços recentemente, disseram duas das fontes. A empresa planeja lançar seu novo sistema operacional único em 2017, mas espera mostrar uma prévia no início de 2016, disse uma das fontes.

O The Verge diz que o novo sistema deve ser apresentado durante o evento Google I/O no ano que vem.

Chrome OS vive… por enquanto

Um porta-voz do Google diz que o Chrome OS não será “morto” e continuará a existir. E Hiroshi Lockheimer, chefe de engenharia de sistemas operacionais, afirma no Twitter que o Google continua “bastante comprometido com o Chrome OS”:

Segundo o Re/code, os Chromebooks não vão desaparecer, porém veremos mais laptops rodando Android:

A partir de 2016, a empresa irá trabalhar com parceiros para criar computadores pessoais que rodam Android, segundo fontes familiarizadas com os planos da empresa. O Chrome OS e o navegador Chrome não vão desaparecer: fabricantes de PCs que produzem Chromebooks ainda poderão usá-los – mas agora elas terão a escolha do Android.

Sim, existem laptops que rodam Android, e eles têm uma presença ainda menor que os Chromebooks. Tom Warren, que acompanha o mundo da Microsoft, não acha que essa seja uma boa ideia:

Android em laptops é a coisa mais sem sentido de todas. Ele funciona mal em tablets porque os desenvolvedores não se importam. Imagine isso em laptops que ninguém compra.

Segundo a IDC, os Chromebooks correspondem a 3% do mercado de PCs. Apesar da presença tímida, eles fazem relativo sucesso na área de laptops baratos e até preocuparam a Microsoft, que ajudou a levar concorrentes – como o HP Stream – ao mercado.

Por que a fusão?

Havia indícios de que o Chrome OS estava ficando para escanteio. Em 2009, após o anúncio oficial do Chrome OS, Sergey Brin sugeriu que o sistema poderia se fundir com o Android. A fusão começou há dois anos, quando Sundar Pichai assumiu o comando de ambos os sistemas operacionais – agora ele é CEO do Google.

No ano passado, o Chrome OS passou a rodar diversos apps de Android, e a se integrar mais com o Lollipop – por exemplo, você pode desbloquear o Chromebook ao aproximar seu smartphone. E há um mês, o Google apresentou o Pixel C, um tablet com teclado destacável que roda Android em vez de Chrome OS – é a primeira vez que vimos isso na linha Pixel.

Por que essa mudança? O Re/code explica que há dois motivos principais. Um deles é simplicidade, algo que Pichai valoriza: é mais fácil desenvolver e manter um sistema operacional do que dois. O outro motivo é escala:

O Google adora escala, e fecha produtos com um número de usuários que muitas empresas adorariam ter (lembra-se do Google Reader?) porque eles não chegam a bilhões. O Chrome OS vive principalmente em dispositivos Chromebook. A Gartner estima que 7,9 milhões desses dispositivos serão vendidos este ano. O Android ultrapassou 1,4 bilhão de usuários, segundo o Google anunciou recentemente.

O WSJ diz que os Chromebooks ganharão um novo nome, ainda a ser definido. Quanto a isso, estamos mantendo nossas expectativas baixas, dado que as mentes por trás do Google escolheram nomes como “Alphabet” e “YouTube Red“.

[Wall Street JournalRe/codeThe Verge]

Imagem: o laptop SlateBook 14 que roda Android foi bastante criticado e a HP parou de vendê-lo.